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De olho na retoma, Angola defende que Portugal está a “relançar” investimento

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RODGER BOSCH

Embaixador em Portugal diz que produzir em Angola não significa perder exportações, mas sim potenciar a economia local e, assim, dar-lhe mais capacidade para compras ao estrangeiro.

O embaixador de Angola em Portugal acredita que as empresas portuguesas vão continuar a apostar naquele país e que já estão a retomar os seus investimentos, numa altura em que se perspetiva que o próximo ano possa ser já de retoma numa das maiores economias africana.

“Angola deverá continuar a ser um destino privilegiado para a internacionalização das empresas portuguesas,” defendeu esta sexta-feira Carlos Alberto Fonseca. “O relançamento dos investimentos portugueses é um facto e continuará a ser, na medida em que a retoma de Angola também está em marcha,” acrescentou.

Durante uma intervenção em Lisboa, subordinada à diversificação da economia angolana para contrariar a forte dependência do petróleo, o diplomata sublinhou a intenção do governo de João Lourenço de transformar Angola numa economia de mercado e realçou o papel que está a ser desempenhado nesse sentido por instrumentos como o programa de privatizações, o apoio à produção e exportações e as alterações legislativas recentes, destinadas a facilitar o investimento privado.

Segundo o embaixador, até ao momento a Aipex (Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações) registou 178 promotores privados interessados em investir no país, num valor total de $1.650 milhões, com o objetivo de criar 13 mil postos de trabalho. E garante que um quarto destes investimentos, no valor de $789 milhões, já está a ser implementado, devendo assegurar quase 4 mil empregos sobretudo nas áreas da indústria transformadora e da agricultura.

“Produzir em Angola não significa perder exportações, mas sim potenciar a economia e dar mais capacidade para mais importações”, argumentou durante o evento promovido pelo International Club of Portugal. E acrescentou que estabelecer essa capacidade no país permitirá às empresas acederem a outros mercados africanos, nomeadamente aos países que fazem parte da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral).

Depois de quatro anos a recuar, o FMI estima que a economia angolana volte a crescimento positivo de 1,2% no ano que vem e que acelere para 3,8% em 2024.

No final do ano passado, o investimento direto de Portugal em Angola (IDPE) aproximou-se de €2 500 milhões. Nos últimos dois anos o fluxo de investimento direto de Lisboa para Luanda foi negativo.