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Prata à beira Tejo está de olho na bolsa e tem novos projetos na mira

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O terceiro dono do projeto imobiliário na zona de Braço de Prata, em Lisboa, prevê investir €400 milhões até 2023 para criar um "bairro" com 2.500 habitantes.

Há um “bairro” a ser construído próximo do Parque das Nações, em Lisboa. E a empresa que está a desenvolver o projeto de €400 milhões na zona de Braço de Prata, a Vic Properties, não quer ficar por aqui. Ali ao lado, na zona da Matinha, devem arrancar as primeiras obras no ano que vem para construir um outro empreendimento habitacional.

Quando estiverem concluídos, os dois complexos vão permitir a continuidade da zona da antiga Expo até ao Beato e colocar cerca de 2.500 apartamentos no mercado. Entretanto, a empresa – que recentemente levantou €250 milhões junto de investidores privados e diz ter capital garantido para investir até ao fim do ano – está também a preparar a ida para a bolsa e tem os olhos postos em oportunidades em Lisboa, Porto e Algarve.

O Prata Riverside Village, que foi apresentado esta quarta-feira, 9 de outubro, já é a terceira designação dada ao complexo de 12 edifícios desenhado pelo arquiteto Renzo Piano e que está a erguer-se na zona oriental de Lisboa. Primeiro chamado de Jardins do Braço de Prata, o projeto foi lançado há 20 anos pela Obriverca, empresa que entretanto entrou em liquidação. Passou depois, em 2016, a Prata Living Concept, promovido pelo fundo fechado Lisfundo (Norfin) e apoiado financeiramente pela CGD e Novo Banco. Em finais do ano passado a VIC Properties, ligada a investidores austríacos, pagou €150 milhões e tornou-se o novo dono do projeto.

O primeiro dos 11 lotes de apartamentos, o mais antigo e pensado há duas décadas, já se encontra concluído e totalmente vendido (28 apartamentos). O segundo, com 40 apartamentos, está em construção e ficará pronto em julho do ano que vem. Os preços oscilam entre €400 mil e €1,9 milhões, já está comercializado a 42,5%, sobretudo junto de compradores portugueses. O terceiro, cuja construção arranca nas próximas semanas, terá 107 apartamentos e já tem 20% da área reservada, referiram os promotores. Fica pronto no primeiro semestre de 2021, com preços a começar nos €285 mil.

Entre 1999 e agora, devido à alteração nas tendências do mercado (procura de casas com menores dimensões) houve que reduzir as áreas das habitações dos novos edifícios. Onde antes havia T6 e duplexes, há agora T4 e T2, por exemplo. Os preços por metro quadrado é que continuam a aumentar: do segundo para o terceiro edifício, subiram entre 10% e 15%, mas ainda assim apontam para o segmento de “middle market.”

Cada apartamento terá, no local de garagem, um ponto individual de carregamento de automóveis elétricos, além de carregadores de alto rendimento instalados no exterior para uso públicos. O projeto prevê, além dos blocos habitacionais (um dos quais terá também escritórios) a construção de um de comércio e restauração, com 2.500 metros quadrados, que dominará a praça central do empreendimento. A gestão dos espaços de retalho distribuídos pelos vários edifícios será centralizada, como se se tratasse de um centro comercial.

“Não queremos criar um dormitório em Lisboa,” refere João Cabaça, CEO da VIC Properties, que adianta que na carga máxima o “bairro” deverá alojar 2.000 a 2.500 pessoas nos 700 apartamentos previstos (antes do redimensionamento eram 499). O projeto deverá estar concluído em quatro anos, entre 2023 e 2024, um prazo que Luís Gamboa, ex-diretor geral da Obriverca e a atual chief operating officer (COO) da VIC Properties, considera “realista”.

Ainda em 2019 a empresa espera apresentar um outro projeto nas proximidades da capital e, no ano que vem, deverá arrancar com as intervenções de “alguns milhões de euros” na descontaminação de solos para permitir o arranque do projeto da Matinha (zona da antiga fábrica do gás), equiparado a uma “vila”. Entretanto, está a trabalhar com a banca de investimento para entrar em bolsa em 2020. “À partida, [a cotação] será em Portugal. Faz sentido, porque temos ativos portugueses,” justifica João Cabaça.

Apesar de a maior parte dos compradores serem portugueses ou lusodescendentes, o objetivo é também colocar este produto junto de compradores europeus e asiáticos, diz o CEO, enquanto percorre com os jornalistas um dos apartamentos já vendidos. Mas não deve ficar por aí. Aliás, basta olhar da varanda para a entrada do prédio lá em baixo, onde um grupo de duas dezenas de brasileiros se prepara também para visitar o edifício, acompanhados de responsáveis de uma agência imobiliária.