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EXAME 30 anos: Manuel Ferreira de Oliveira

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Lucilia Monteiro

Manuel Ferreira de Oliveira, recentemente falecido, deu uma das suas últimas entrevistas à EXAME, a propósito dos 30 anos desta revista. Recorde as palavras do gestor que ficou ligado ao setor da energia. Conteúdo publicado originalmente na edição de julho de 2019 da EXAME

Há seis anos, no trabalho que deu capa à EXAME de janeiro de 2013, Manuel Ferreira de Oliveira traçou ambiciosas metas para a Galp Energia, até 2020. Afirmava o então CEO da petrolífera que a empresa iria crescer cinco vezes e atingir um EBITDA de 5 mil milhões de euros, em sete anos, e que contaria com os negócios do gás natural de Moçambique e o petróleo do Brasil e Angola para atingir tamanhas metas.

Este foi o plano estratégico que o gestor deixou escrito antes de sair, em maio de 2015. “Só sou responsável pelas contas até 2014, que ainda fechei. Mas os objetivos traçados e o plano estratégico, um documento confidencial, mantinham-se válidos no momento da minha saída”, recorda. Aliás, na sua opinião, mantêm-se igualmente exequíveis ao dia de hoje. Isto, apesar de a empresa ter registado, em 2018, um EBITDA de 2,2 mil milhões de euros, muito aquém dos 5 mil milhões definidos por Ferreira de Oliveira.

“A Galp tem vindo a crescer, e a um ritmo quase exponencial. Não tão ligado aos projetos do Brasil, que ainda assim têm atingido metas desejáveis. O gás em Moçambique está mais atrasado por razões de natureza geopolítica e não tanto económica. Quando se diz 2020 diz-se 2019, ou 2021, não é um plano de negócios. Julgo que a Galp vai continuar a crescer e a minha intuição é a de que terá uma excelente performance”, conclui o antigo CEO da petrolífera, que desde que deixou estas funções não acompanha a vida da empresa “por disciplina intelectual”.

Ferreira de Oliveira geriu a Galp ao longo de 14 anos e diz ser sempre “com prazer e orgulho” que se lembra deste período da sua vida profissional. O gestor destaca três ou quatro momentos com saudade: a reestruturação da antecessora da Galp, a Petrogal, que atravessava dificuldades enormes; a admissão à cotação da empresa no mercado de capitais; o sucesso na atividade de exploração e produção no Brasil, que será âncora para a empresa, bem como o projeto do gás em curso em Moçambique; e, ainda, a reconversão da atividade de refinação.

Atualmente, o tempo de Ferreira de Oliveira está meticulosamente organizado. Dedica a sua semana ao setor petrolífero, trabalhando com os grandes fundos internacionais; ao cargo de presidente da comissão de remuneração da CGD; à Petroatlântico, um veículo de assessoria e promoção de investimentos no setor; à Universidade do Porto, onde é curador; e também a uma empresa familiar da área do mobiliário de luxo.

Manuel Ferreira de Oliveira faleceu a 5 de outubro de 2019. Entrevista realizada a propósito dos 30 anos da EXAME e publicada na edição de julho de 2019.

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