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Thomas Cook: Governo apoia Algarve e Madeira com plano de €2,25 milhões e acesso a linha de tesouraria

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Além da campanha, as empresas afetadas pela falência do operador turístico britânico vão poder aceder à linha de apoio às necessidades de tesouraria, de até €1,5 milhões por empresa. Para este sábado está marcada reunião entre autoridades turísticas e empresas algarvias.

O Governo, em articulação com a Associação de Turismo do Algarve e a Associação de Promoção da Madeira, vai disponibilizar €2,25 milhões para um Plano Especial de Promoção para aquelas duas regiões do País que possa compensar a descida da procura resultante da falência do operador britânico Thomas Cook.

O objetivo, anunciou o Executivo em comunicado esta sexta-feira, 27 de setembro, é "aumentar a procura e os níveis de transporte aéreo e de operação turística nos seguintes mercados emissores: Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Irlanda, Polónia e Mercados nórdicos."

Além do plano especial, as empresas portuguesas que se viram diretamente afetadas por esta insolvência vão poder recorrer à linha de crédito do Programa Capitalizar destinada a financiar necessidades de tesouraria. A linha, já existente, disponibiliza até €1,5 milhões por empresa, num prazo de até três anos. O limite desta linha é de 150 milhões de euros.

No início da semana, quando se soube da falência da Thomas Cook, os hoteleiros do Algarve estimaram prejuízos na ordem dos "milhões de euros", uma vez que terão ficado por pagar aos hotéis que receberam os turistas trazidos por estes operadores, pelo menos, os montantes relativos aos meses de julho e agosto.

À EXAME, Elidérico Viegas disse que a liquidação do grupo deixa mais de um mês de capacidade hoteleira por preencher – os turistas que deveriam viajar até ao fim da época alta, que termina no final de outubro. “Mas o mais importante não é isso,” defende o presidente da AHETA. “São os dois meses anteriores que têm dívida, julho e agosto. É essa faturação que está em causa.”

O responsável dava esses valores, que a Thomas Cook já tinha cobrado aos clientes mas ainda não tinha transferido para os hotéis, como perdidos. O que, para os empreendimentos que trabalhavam com o operador britânico, corresponde a “50% da faturação dos hotéis num ano,” argumenta.

Na altura, tanto o presidente da Região de Turismo do Algarve como o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) relativizaram o impacto, avançando que teria um “efeito reduzido” na região – João Fernandes, líder da região turística, estimava que o operador não tenha transportado mais de 0,2% do turistas para o Algarve este ano, enquanto a associação do setor, a AHETA estimava em cerca de 50% o peso dos operadores (tradicionais e online) na chegada de turistas à região.

Em declarações esta sexta-feira ao Dinheiro Vivo, Elidérico Viegas, presidente da AHETA, estimava que tenham sido afetadas pelo menos 17 empresas na região algarvia e que as dívidas a estas entidades oscilam entre valores na ordem dos mil euros e de quase dois milhões. E pediu a criação de um fundo com entre €15 milhões e €20 milhões a que as empresas possam recorrer para compensar falhas de tesouraria.

O Governo anunciou ainda para este sábado uma reunião entre a Região de Turismo do Algarve, o Turismo de Portugal e associações e empresas afetadas.

A queda de um gigante

A Thomas Cook anunciou a entrada em liquidação na segunda-feira passada, ao fim de 178 anos de história, depois de terem falhado novos esforços de viabilização junto dos principais acionistas. Foram afetadas 600 mil pessoas , entre as quais 150 mil britânicos de férias no estrangeiro. Estão ainda em risco 21 mil postos de trabalho em todo o mundo.

O grupo atribuiu a situação difícil à instabilidade política em destinos onde opera (como a Turquia, por exemplo), à onda de calor que atingiu o Reino Unido – que desencorajou a realização de viagens para destinos no estrangeiro – e ao impacto da incerteza com o Brexit na reserva de futuras viagens.

Segundo o The Guardian, a dívida que trouxe às costas desde a fusão em 2007 com a MyTravel e a emergência dos operadores online que retiraram mercado ao tradicional pacote turístico já vinham a fazer mossa há alguns anos. Em maio, reportou prejuízos de 1.456 milhões de libras relativos ao primeiro semestre fiscal, altura em que contava 1.200 milhões em dívidas.

Em agosto, o grupo garantiu um financiamento de 900 milhões de libras. O seu maior acionista - a chinesa Fosun - entraria com 450 milhões de libras e a banca e os obrigacionistas com um montante semelhante. Recentemente, a exigência acrescida dos credores bancários em reforçar o financiamento em mais 200 milhões de libras deitou o plano por terra.