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Farfetch acusada de enganar investidores

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Lucília Monteiro

Uma ação coletiva submetida por investidores deu entrada no Tribunal de Nova Iorque com alegações de que a empresa de José Neves terá ocultado informação relevante. Ações afundam

A notícia foi avançada pela imprensa norte-americana nos últimos dias e entretanto tornada pública pelas sociedades de advogados que estão a liderar o processo: a Farfetch, detida pelo português José Neves, e a primeira empresa com ADN português a cotar no NYSE, em Nova Iorque, está a ser alvo de uma ação coletiva por parte de várias sociedades de advogados em representação de investidores na plataforma de luxo. Segundo os documentos que terão sido entregues no tribunal do distrito sul de Nova Iorque, a Farfetch terá feito declarações falsas e ocultado informação relevante aquando do registo da sua Oferta Pública Inicial, até 8 de agosto, dia em que reportou perdas trimestrais acima do esperado.

A imprensa realça ainda que entre as sociedades de advogados se contam nomes de peso como a Hagens Berman, a Bragar Eagel & Squire e a Rosen, e que estas terão lançado alertas aos investidores na Farfetch para se juntarem à ação coletiva.

Um comunicado da Bronstein, Gewirtz e Grossman, outra das sociedades de advogados envolvidas no processo, refere que os responsáveis da Farfetch ocultaram que o negócio principal da Farfetch era vulnerável a grandes promoções de produtos de luxo e à volatilidade dos preços, e que o lucro da empresa dependia de aquisições agressivas. Numa outra declaração tornada pública, Reed Kathrein, um dos sócios da Hagens Berman, referia que os queixosos estão “focados nas perdas dos investidores, e em saber se a Farfetch deturpou a sustentabilidade do seu modelo de negócio”.

Recorde-se que a Farfetch, criada em 2008, foi considerada o primeiro ‘unicórnio’ português em 2015, quando atingiu uma valorização de mil milhões de dólares. A organização estreou-se na bolsa de Nova Iorque a 21 de setembro do ano passo. No arranque da negociação, os títulos que, com a oferta pública inicial entraram em bolsa a valer 20 dólares cada, dispararam 35% para 27 dólares. Atualmente, as ações da empresa negoceiam abaixo dos 10 dólares.

Contactada pela EXAME, fonte oficial da Farfetch refere apenas: "não podemos comentar processos em curso."

Notícia corrigida às 17h59. A Farfetch está cotada no NYSE e não no Nasdaq como anteriormente referido.