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“É importante que os impostos não sejam excessivos," avisa a Pernod Ricard

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DR Pernod Ricard

Com o mercado nacional de bebidas espirituosas a crescer acima da média europeia para os produtos da Pernod Ricard, o responsável pelo negócio europeu desta multinacional defende que os impostos aplicados a estes produtos têm de ser justos e proporcionados.

“É muito importante que não sejam excessivos. Se forem muito elevados, isso é prejudicial para as receitas de impostos para o Estado,” argumenta Gilles Bogaert. “É muito importante que as bebidas espirituosas não paguem impostos desproporcionadamente elevados em relação a outras bebidas alcoólicas,” adiciona.

Em 2018 o Estado arrecadou €289,3 milhões à conta deste imposto, mais €10 milhões que um ano antes. Em seis anos, de acordo com números da Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas, o imposto sobre o álcool e as bebidas alcoólicas (IABA) aumentou mais de 30%. E as bebidas espirituosas, segundo a associação, representaram mais de metade da receita deste imposto. Ao contrário dos exercícios anteriores, em 2019 o Governo optou por não aumentar os impostos cobrados a este setor.

De passagem por Lisboa, o CEO da Pernod Ricard nos espaços europeu, do Médio Oriente, África e América Latina está satisfeito com o desempenho do grupo no ano passado no mercado português (na ordem de um dígito), que ficou acima da média europeia e permitiu ganhos de quota. “Portugal (...) é um mercado atrativo. O objetivo é manter e ter crescimento orgânico,” disse o responsável à EXAME, à margem da apresentação de uma iniciativa de marketing do grupo.

Além da comercialização de insígnias como Jameson, Ballantines (whisky) ou Beefeater (gin), as ligações do grupo a Portugal incluem uma parceria com a Sogrape para a distribuição da Sandeman a nível internacional. Já chegou a ter produção no País com a compra, em 2001, da marca Macieira, via ativos da Seagram&Co. Mas, 13 anos depois, a fábrica de brandy localizada no Bombarral encerrou, depois de o engarrafamento e a produção passarem progressivamente para Espanha. Novas compras, para já, não estão no radar.

Gilles Bogaert, CEO da Pernod Ricard para a EMEA e LATAM

Gilles Bogaert, CEO da Pernod Ricard para a EMEA e LATAM

Marc-AndrŽ DESANGES

“Até agora não identificámos especificamente em Portugal marcas que complementem o nosso portefólio, mas fusões e aquisições são parte da estratégia da Pernod Ricard para acrescentar novas marcas,” defende Bogaert. Recentemente, o grupo comprou a marca italiana de gin Malfy e as norte-americanas de whisky Rabbit Hole e TX. “Num país pequeno como Portugal é importante estar concentrado. Muitas das marcas estão disponíveis, mas estamos concentrados em termos de investimento e ativação em torno de seis ou sete delas, não mais,” acrescenta.

Uma das marcas, a Jameson, abriu esta semana um espaço temporário em Lisboa, no LX Factory, com uma experiência interativa que reproduz a visita a uma destilaria daquele whisky, como a que existe em Dublin, Irlanda. O projeto-piloto escolheu a capital portuguesa como primeira localização por ser “uma cidade muito dinâmica e vibrante. Há muitas coisas a acontecer em Lisboa na área das tecnologias, das startups. É um sítio fantástico para testar o conceito,” justificou Collin Kavanagh, diretor de marketing para os mercados EMEA e América Latina da Pernod Ricard, também durante a inauguração da iniciativa. Embora o valor investido nesta iniciativa não seja revelado, os responsáveis garantem que será monetizado localmente com a venda de merchandising e das entradas na experiência interativa.

No ano fiscal de 2019, cujos resultados foram conhecidos esta quinta-feira, 29 de agosto, as vendas da Pernod Ricard subiram 6% e os lucros subiram 9,5% (os não recorrentes recuaram 8% para €1 455 milhões). A faturação no mercado europeu subiu 1% (contra 2% no ano anterior) mas no segmento da Europa Ocidental, onde se inclui Portugal, recuou 1%, marcado por dificuldades de mercado em França e disputas comerciais na Alemanha. Na Ásia e resto do mundo as vendas cresceram 12%, puxadas por China, Índia e Turquia.

Apesar de sinais de abrandamento da economia a nível internacional, dos sucessivos episódios de guerras comerciais e da iminência de um Brexit sem acordo, o CEO do negócio europeu garantiu que o grupo está confiante. “O nosso negócio existe há muitos anos, temos marcas com centenas de anos, passámos por muitas crises. Estamos aqui para o longo prazo. (...) Não estamos preocupados, porque acreditamos que a estratégia está aqui para durar e absorver os choques macroeconómicos de curto prazo,” assegura Gilles Bogaert.