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Isabel Vaz e Alexandre Fonseca preocupados com influência do Bloco de Esquerda

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Marcos Borga

O CEO da Altice Portugal e a presidente executiva da Luz Saúde disseram estar preocupados com o resultado das eleições legislativas e criticaram o peso do Bloco de Esquerda na governação do País

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar

Jornalista

Na conferência anual da Exame, Isabel Vaz e Alexandre Fonseca mostraram o seu descontentamento com as intervenções de Catarina Martins e com a influência que o Bloco de Esquerda tem junto do Governo.

“Para mim, o resultado das eleições é importante. Dependendo da solução governativa, as PPP da saúde podem estar em cima da mesa. O Estado vai sair mais da economia? Estou num setor onde tem um peso brutal”, apontou Isabel Vaz, em resposta a uma pergunta acerca da importância que dá ao resultado das eleições legislativas de Outubro.

“Os políticos em Portugal convenceram-se que somos todos de esquerda”, acrescentou, referindo-se em específico à influência do BE que, apesar de ter um peso eleitoral reduzido, “faz muito barulho”. Minutos antes, já tinha falado de “um Estado que é controlado pela Catarina Martins”. A CEO da Luz Saúde aproveitou ainda para criticar o PSD por "ter medo de assumir políticas liberais".

Uma opinião semelhante foi expressa por Alexandre Fonseca. O CEO da Altice Portugal disse que, “num contexto diferente”, não ligaria ao resultado das eleições, mas reconheceu que, no atual enquadramento político, “é uma preocupação”. “Pelo peso que o Estado tem, pela manutenção do atual modelo, pelo peso de certas posturas que se transformam em política de carácter demagógico e populista. É muito preocupante se mantivermos uma certa postura, como uma senhora que chega a fazer campanha eleitoral contra empresas privadas como a Altice”, criticou, referindo-se também a Catarina Martins.

Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde

Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde

Marcos Borga

Isabel Vaz criticou também a opção do Governo de reduzir o horário de trabalho dos funcionários públicos de 40 para 35 horas semanais, pelo impacto que teve nos serviços públicos. “Foi um disparate e um disparate gigante”. “Não é preciso um curso em Harvard para perceber que se algo funciona 24 horas por dia e 365 dias por ano [como a saúde], isso vai ter impacto”. Ainda assim, reconheceu que Mário Centeno “tem razão” ao resistir a gastar mais dinheiro na saúde, quando ainda há muito desperdício na gestão pública. “O Estado em Portugal continua a ter um peso brutal e é o concorrente mais desleal que existe.”

Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal

Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal

Marcos Borga

O painel que fechou a conferência de comemoração de 30 anos da revista Exame contava ainda com o economista António Nogueira Leite, que partilhou uma visão positiva da gestão que António Costa e Mário Centeno têm feito das contas públicas, ainda que se tenha mostrado preocupado com o futuro do Estado.

“O primeiro-ministro e o ministro das Finanças têm estado muito bem, mas não é uma solução de longo prazo. Não acho que venha aí uma calamidade, mas teremos problemas na gestão da Administração Pública”, avisou, falando de um esforço fiscal “muito elevado”, uma “agressividade fiscal sem paralelo noutros países”, níveis baixos de investimento público e um crescimento que dá sinais positivos, mas assenta em variáveis cíclicas. “Não sei por quanto tempo conseguiremos ter um SNS sem entrar em ruptura, se continuar a ser gerido como nos últimos anos.”

António Nogueira Leite

António Nogueira Leite

Marcos Borga

Isabel Vaz concorda com a ideia de que o Estado tem problems graves a resolver, mas destaca como principal o "défice de talento". “A ciência precisa de cientistas de dados. Vão dar-lhes salários de entrada de mil e poucos euros no Estado?”

Alexandre Fonseca reconhece que “o país está melhor”. “Os factos são os factos. Aparentemente estamos melhor e isso deve deixar-nos felizes, mas com um grau elevado de ceticismo”, alertou, falando de um défice de investimento, escassez de competências digitais entre os portugueses e falta de profissionais na área da tecnologia.