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Estudo: Peso do digital na economia próximo dos 5% mas abaixo dos pares europeus

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D.R.

Google defende a criação de políticas públicas que estimulem a digitalização e apela à modernização das empresas.

Entre 2013 e 2017 o peso do digital na economia portuguesa aumentou para 4,7% do produto interno bruto (PIB), totalizando €9 mil milhões.

A conclusão é do estudo Impacto Digital, realizado pelo Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Google e que foi apresentado esta sexta-feira, 22 de fevereiro na Nova SBE em Carcavelos. Ainda assim, frisa o documento, Portugal está "mais de três pontos percentuais abaixo do verificado para alguns pares europeus.

"O tamanho já é grande, mas também o atraso que ainda temos versus outras economias mais desenvolvidas. (...) Temos o dever e o papel de acelerar o máximo possível para aproveitar as infra-estruturas, o talento, um ambiente regulatório positivo e consistente. Temos de usar esses fatores para aproveitar a revolução digital em nosso benefício," advertiu Bernardo Correia, country manager da Google Portugal.

Segundo o mesmo estudo, a Google, enquanto hub digital europeu, tem um impacto económico anual de €2,5 mil milhões em Portugal e suporta indiretamente 70 mil empregos. Recorde-se que, há um ano, o Governo anunciou a instalação em Portugal de um centro da Google para criar, numa primeira fase, 500 empregos. No final do ano a empresa norte-americana anunciava a criação de mais 800 postos de trabalho, elevando o total de pessoas nas instalações da empresa no Lagoas Park, Oeiras, para as 1 300.

"A mensagem de hoje não é sermos complacentes, é a urgência que há na criação de políticas públicas digital friendly (...) e do investimento digital nas empresas," acrescentou o responsável da Google.

As contas da consultora apontam ainda que o PIB português beneficiaria de um prémio de €20 mil milhões em 2025 se até lá o País se projetasse como "hub digital europeu relevante" e que 45% dos portugueses não abdicaria da Internet por qualquer valor.

Segundo Pedro Pereira, managing director da BCG Portugal, esse reforço do peso de Portugal passa por investimento em infra-estruturas e literacia digital, pelo reforço da cibersegurança e ainda por uma regulação que proteja o mercado mas não trave a inovação no setor.

"O que vem aí é um futuro que é realmente diferente," alertou Daniel Traça, o dean da Nova SBE, referindo-se à campanha de crowdfunding digital para apoio às greves cirúrgicas dos enfermeiros como exemplo de uma inovação tecnológica que "coloca em risco as estruturas normais de funcionamento do trabalho."

"Não há muitas opções, não estamos sozinhos no mundo, se paramos são os outros que aproveitam e nós ficamos para trás. (...) Aceitemos o digital e façamos dele a próxima fronteira para resolver os problemas que existem nas nossas vidas," instou.