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Controlinveste: 548 milhões de dívidas levam a pedido de insolvência

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Plano de reestruturação apresentado em 2014 ficou concluído no final do ano passado. BCP e Novo Banco são os principais credores

O grupo liderado por Joaquim Oliveira apresentou ao tribunal um pedido de insolvência no decorrer do processo de reestruturação iniciado em 2014. Apesar de o grupo, originário na Olivedesportos, se ter “mantido positivo em termos operacionais, sem alterações societárias, sem recorrer a mais crédito e sem qualquer alteração às garantias dadas aos bancos” durante o período considerado, a restruturação agora fechada com os credores prevê a “apresentação à insolvência da Controlinveste SGPS, em virtude de uma dívida bancária, incluindo juros, de 548 milhões de euros, registada no último Balanço aprovado (31/01/2019)”, lê-se no documento a que a VISÃO teve acesso.

Segundo o mesmo relatório, a Controlinveste SGPS tem no Millennium BCP e no Novo Banco os principais credores, suportando dívidas no valor de 404 e 142 milhões de euros, respetivamente.

No mesmo documento lê-se que a Controlinveste vai manter os “negócios estáveis e rentáveis (Olivedesportos, Cosmos Viagens) e a manutenção das suas participações na SportTV (25%), no Global Media Group (19,25%) e em várias participações em SAD desportivas”. O Grupo revela ainda que este plano prevê uma “restruturação financeira, de forma a assegurar uma maior proximidade entre a dívida e as receitas geradas”.

Recorde-se que a Controlinveste iniciou este processo de restruturação após ter sido significativamente impactado pela crise financeira, com a queda da Portugal Telecom, onde o Grupo tinha posições acionistas, a ter um particular impacto nas finanças da instituição. Sobretudo numa altura em que a participação da Controlinveste em empresas de media também já pesava negativamente no balanço do grupo, com o aprofundar da crise no mercado publicitário - altura em que a Controlinveste se começa a desfazer de parte da sua participação acionista no Global Media Group - dono de títulos como o Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF. No conjunto destes ativos, lê-se no documento a que a VISÃO teve acesso, o Grupo de Joaquim Oliveira terá registado prejuízos superiores a 500 milhões de euros.