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Centeno sobre o abrandamento: “Parece que vai durar um pouco mais”

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Costa e Siza Vieira já se tinham referido a riscos de "pneumonia" e entrada da economia num "novo ciclo". Agora, o presidente do Eurogrupo - e ministro das Finanças - admite um abrandamento mais prolongado

São sobretudo razões políticas que estão a prejudicar o desempenho e a confiança na economia europeia, mas o abrandamento é uma realidade e pode ser mais prolongado. A convicção é de Mário Centeno, e foi deixada esta quarta-feira à margem da reunião do Fórum Económico Mundial em Davos.

“Temos de estar um pouco preocupados em relação aos desenvolvimentos [para a zona euro em 2019],” reconheceu o presidente do Eurogrupo. “Pensamos que algum do abrandamento pode ser temporário, por exemplo na indústria alemã. Parece que vai durar um pouco mais mas ainda estamos a crescer, as perspetivas do mercado de trabalho são muito positivas, mas temos de potenciar esses sinais positivos,” disse em entrevista à Bloomberg.

No espaço de uma semana o ministro português das Finanças (embora na pele de líder do Eurogrupo) é a terceira figura do Governo a vir refrear os ânimos em relação ao comportamento da economia, depois de o primeiro-ministro António Costa ter alertado para sinais de arrefecimento exteriores: “Temos de continuar a ter cautela suficiente para não nos pormos numa corrente de ar, apanharmos uma gripe que depois se transforma numa pneumonia,” avisou há uma semana durante um almoço na Associação 25 de abril. O ministro da Economia, Siza Vieira, também reconheceu a entrada da economia portuguesa numa "nova fase do ciclo económico."

São vários os sinais de desaceleração que se fazem sentir nas principais economias europeias, que levaram o PIB na Zona Euro a registar, no terceiro trimestre, o pior desempenho em quatro anos – com as economias alemã e italiana a contraírem respetivamente 0,2% e 0,1% em cadeia -, o que no entanto coincidiu com novos máximos ao nível do emprego no espaço europeu.

Já esta semana, o Fundo Monetário Internacional reviu em baixa as suas perspetivas de crescimento para a Zona Euro, ligando a maior fraqueza esperada na Alemanha ao desempenho do setor automóvel, destacando o arrefecimento da procura interna em Itália e ressaltando o ambiente social tenso em França, com protestos nas ruas que obrigaram a esforços orçamentais adicionais.

Além destes sinais na Zona Euro, também a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a desaceleração desta última economia estão a ser apontados como focos de pessimismo nos mercados internacionais, a que se junta a possibilidade de uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia.

Hoje, em Davos, Mário Centeno instou os políticos a acelerarem o passo para, tanto no Reino Unido (com o Brexit) como em Itália (onde perdura incerteza em relação à política orçamental) “garantir que tudo está resolvido no mais curto tempo possível.” “Muitos dos riscos que temos acumulado nos últimos meses são de origem política,” caraterizou.

O presidente do Eurogrupo considerou ainda que um cenário de saída do Reino Unido sem um acordo com a União Europeia será um “choque”, mas disse-se otimista com as negociações entre o governo de Theresa May e o Parlamento britânico e garantiu que os restantes Estados-membros estão a tomar as medidas necessárias para enfrentar todos os cenários, desde logo passando a tratar o Reino Unido como um país terceiro.