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Crescimento do turismo e descida do IVA na restauração permitiram contratar e "reter talento"

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Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo

Marcos Borga

Ana Mendes Godinho espera que o fim da obrigatoriedade do Pagamento Especial por Conta (PEC), proposto no Orçamento do Estado para 2019, traga um alívio adicional à tesouraria das empresas da restauração.

A secretária de Estado do Turismo defende que foram medidas como a descida do IVA na restauração para os 13%, conjugadas com o crescimento da atividade turística dos últimos anos, que criaram condições para manter e aumentar o emprego neste setor.

Em declarações à EXAME, Ana Mendes Godinho disse que foram estas duas circunstâncias que permitiram aos restaurantes "recomporem os seus quadros de pessoal, porque passaram a ter alívio na tesouraria." E que o setor pode voltar a beneficiar no ano que vem neste domínio, com o fim da obrigatoriedade do Pagamento Especial por Conta (PEC).

"É um alívio em termos de tesouraria muito significativo, o que tem permitido que as empresas cada vez mais tenham capacidade de apostar nos seus quadros de pessoal e de criar condições para conseguirem reter talento," afirmou à margem da Web Summit, que terminou esta quinta-feira em Lisboa.

O setor turístico, que emprega mais de 330 mil pessoas no País e foi dos que mais postos de trabalho criou nos últimos três anos, vai ter até ao final do ano uma nova campanha de valorização das suas profissões. O objetivo é mostrá-las como atividades de futuro e que as empresas percebam que é "essencial criar condições apelativas e reconheçam a necessidade de saber fidelizar clientes," aponta a governante.

Ana Mendes Godinho não se mostra particularmente preocupada com a evolução das dormidas de estrangeiros este verão, que em agosto caíram quase 5% em termos homólogos, com o principal mercado, o britânico, a descer mais de 12%. Crescer na época baixa, alargar o turismo a todo o ano e a todo o território e garantir que quem vem gasta mais e mais valor é, salienta, o mais importante. Neste capítulo, as receitas de turistas estrangeiros continuam a crescer a dois dígitos, mais 12,1% até agosto, depois de fechar 2017 a subir 19,5%.

"A preocupação não é, de todo, o volume de turistas. O foco total é nas acessibilidades aéreas aos aeroportos e em diversificar mercados. (...) Se não tivermos sustentabilidade da atividade ao longo do ano, temos emprego sazonal," avisa. Alguns desses mercados de diversificação, como o Brasil, EUA e Canadá, continuam a crescer a dois dígitos.

Siza Vieira trará continuidade

Perante as mudanças recentes na direção da pasta da Economia (com a substituição de Manuel Caldeira Cabral por Pedro Siza Vieira) a secretária de Estado do Turismo - a única que se manteve da equipa anterior - deixa elogios ao antigo ministro e não espera que as mudanças de liderança tragam alterações à política do Governo para este setor.

"O ministro que cessou funções foi um ministro extraordinário, sempre com uma grande capacidade de apadrinhar e de dar força ao turismo. Tal como o ministro Siza Vieira já demonstrou que está a dar-nos toda a força para continuarmos esta trajetória que vinha de trás," considerou.

E a hipótese, como avançado pelo Público no início da semana, de a própria Ana Mendes Godinho poder vir a assumir uma pasta ministerial num eventual futuro Governo socialista? Silêncio de breves segundos. E a resposta: "Neste momento o que eu sinto é uma grande missão de serviço. Enquanto somos úteis para o País, fazemos todos o melhor. O que interessa é garantir que cumprimos o nosso programa de Governo até ao fim. E é nisso que estou completamente focada."