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Cimpor em Portugal vendida a turcos da OYAK

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No mesmo dia em que foi conhecida a compra da operação portuguesa, a turca OYAK Cement, detida pelo fundo de pensões das Forças Armadas turcas OYAK, anunciou a venda de 40% do seu capital à empresa de Taiwan TCC.

Todos os ativos da operação portuguesa da Cimpor, até aqui nas mãos da brasileira Intercement, foram vendidos ao grupo turco OYAK. A alienação, anunciada esta sexta-feira pela dona da Cimpor, inclui três fábricas integradas de cimento e duas unidades de moagem que em conjunto têm uma capacidade de produção de 9,1 milhões de toneladas, lê-se num comunicado da Intercement.

Em Portugal a OYAK (sigla de Ordu Yardimlaşma Kurumu) compra também uma fábrica de embalagem de cimento, 46 unidades de betão, 17 pedreiras e duas unidades de produção de argamassa seca. Além da operação portuguesa, foi também vendida à empresa turca a operação cabo-verdiana da Cimpor. O objetivo é que uma “parte relevante” do produto destas transações contribua para a redução da dívida da Intercement. O valor da aquisição não foi revelado.

A Cimpor está presente em Portugal, de acordo com informações no site da empresa, com três centros de produção (Loulé, Alhandra e Souselas), duas unidades de produção de argamassa seca (CIARGA na Maia e Alhandra), sete entrepostos e cerca de cinco dezenas de centrais de betão e agregados (entre as marcas Betão Liz, Ibera e Agrepor).

Segundo o comunicado a OYAK Cement é líder no mercado turco, contando com sete fábricas integradas de cimento, três moagens com capacidade anual de produção de 12 milhões de toneladas por ano, 45 centrais de betão e uma fábrica de sacos de papel. Já o grupo OYAK estende-se do cimento e betão à mineração, metalurgia, automóvel, energia e química, além de serviços financeiros e logísticos e emprega cerca de 30 mil pessoas em 19 países.

Com sede em Ancara, a OYAK Cement foi criada em 2015 enquanto subsidiária. Esta sexta-feira foi também conhecida a compra de 40% desta empresa pela Taiwan Cement Corporation, um negócio de 640 milhões de dólares. A OYAK Holding é detida pelo OYAK, o fundo de pensões das Forças Armadas turcas, fundado em 1961 e que conta mais de 330 mil membros.

A Cimpor perdeu em setembro do ano passado a qualidade de sociedade aberta, saindo de bolsa. Em Portugal tinha, no final do ano passado, 794 empregados. Em Cabo Verde eram 90. O comunicado refere que a aquisição da Cimpor Portugal e Cabo Verde “contempla a manutenção das estruturas humanas destas empresas.”

A venda depende ainda da luz verde da Concorrência. Uma vez viabilizada, a Intercement espera concentrar-se nas operações da América do Sul e África, com 35 fábricas de cimento e capacidade instalada de 39 milhões de toneladas.

No ano passado o volume de negócios da Cimpor em Portugal aumentou 13,1% para 258 milhões de euros e o EBITDA cresceu 36,4%, num ano de “crescimento para o mercado interno de cimento em Portugal, com investimentos no segmento da construção civil, principalmente na reabilitação de edifícios,” lê-se no relatório e contas da empresa. As exportações aumentaram 15%. Em Cabo Verde as vendas de cimento e clínquer da Cimpor caíram “cerca de 5%, enquanto o volume de negócios decresceu 7,6%.”