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Jack Ma deixa funções executivas na Alibaba ao fim de 20 anos

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Wang HE/ Getty Images

O chairman executivo do gigante do retalho eletrónico vai ceder o lugar ao atual CEO dentro de um ano. Depois, Ma quer dedicar-se ao ensino e a partilhar com outros aquilo que aprendeu nos últimos anos.

No próximo ano, em que se cumprem duas décadas desde a criação do gigante de comércio eletrónico chinês Alibaba, o fundador Jack Ma deixará de exercer funções de liderança da companhia.

A data para deixar de ser chairman executivo da empresa mais valiosa da China já está escolhida: a 10 de setembro de 2019, o dia em que a empresa cumprirá 20 anos, Ma será substituído no cargo pelo atual CEO, Daniel Zhang, que acumulará as duas funções.

“Ainda tenho sonhos a perseguir,” afirma Jack Ma numa carta enviada esta segunda-feira a empregados, clientes e acionistas, onde assegura uma transição suave para o sucessor e a continuidade da sua ligação à empresa enquanto parceiro fundador dentro da Parceria Alibaba, um órgão com 36 membros destinado a “preservar a cultura definida pelos nossos fundadores.”

Jack Ma, 54 anos, também se manterá na administração até à próxima assembleia-geral, que deverá acontecer em 2020. A mudança, segundo a carta, é o culminar de dez anos de preparação e enquadra-se na estratégia de elevar o governance da Alibaba a um outro patamar, com a transição de uma empresa assente em indivíduos para uma entidade com “excelência organizacional e uma cultura de desenvolvimento de talento.”

“Também quero regressar à educação, o que me entusiasma tanto porque é o que eu adoro fazer,” refere o antigo professor de inglês e dono de uma participação de 6,4% da empresa – hoje avaliada em bolsa em 420 mil milhões de dólares (cerca de 363 mil milhões de euros à cotação atual).

Há cinco anos, em 2013, Ma já tinha cedido a presidência executiva da empresa a Jonathan Lu, que seria substituído dois anos depois por Daniel Zhang. A empresa criada em 1999 por Jack Ma e outras 17 pessoas num apartamento em Hangzhou entrou na bolsa de Nova Iorque em 2014, na então maior oferta pública inicial a nível internacional – 25 mil milhões de dólares, segundo o Financial Times. O projeto delineado pelos outros 18 fundadores consistia em criar uma empresa que atravesse três séculos e chegue aos 102 anos. Pode ler aqui o perfil deste "rejeitado otimista" num trabalho publicado pela EXAME em fevereiro passado.

Em entrevista na semana passada à Bloomberg, Jack Ma já admitia que a sua saída de funções executivas estaria para breve, admitindo que sentia muita falta de ensinar e que tinha entrado no mundo empresarial por acaso. “A sociedade deu-nos tantos recursos e experiências, não devemos desperdiçá-los – partilhemo-nos com os outros,” instou, quando questionado se gostaria de voltar ao ensino.

O futuro presidente executivo e atual CEO, Daniel Zhang, conta na sua carreira com um percurso de três anos na PwC e mais dois como CFO de uma empresa de desenvolvimento de jogos, a Shanda Games. Tem 46 anos e entrou em 2007 na Alibaba, onde chegou a administrador financeiro da Taobao (site de comércio eletrónico hoje denominado Tmall) antes de ser indicado para CEO da firma.

Zhang tem um perfil mais discreto que o de Jack Ma, que pautou a sua presença à frente da Alibaba por momentos de grande visibilidade, como quando imitou Michael Jackson durante um evento corporativo. O atual presidente executivo define Zhang como alguém com um “talento soberbo, com uma visão de negócios e uma liderança determinada.” A imprensa chinesa costuma descrevê-lo como o homem que transformou o “trator” robusto de Ma num “Boeing 747.”

A Zhang é atribuída a autoria da criação do Single's Day, uma jornada de promoções no retalho online que se comemora a 11 de novembro e que foi lançado em resposta ao Black Friday norte-americano. Em quase dez anos, já se converteu no dia mais rentável do ano para o comércio eletrónico na China.

Outra das transformações sob a liderança de Daniel Zhang foi a emergência do mobile nas transações e a diversificação de negócios, que hoje se estendem à computação em cloud, entrega de refeições, setor do retalho alimentar e publicidade, segundo a Deutsche Welle.