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João Baracho

João Baracho

Diretor Executivo do CDI Portugal

A educação das novas gerações e as competências tecnológicas

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João Baracho

(Arquivo)

Marcos Borga

A educação das crianças para a tecnologia é muito importante, mas o que se deve exatamente ensinar?

É geralmente aceite que as competências tecnológicas são fundamentais para o futuro. Apesar das novas gerações trazerem já consigo um raciocínio mais adaptado às novas tecnologias e disporem de uma quantidade de informação milhões de vezes superior às gerações anteriores, a literacia digital é fundamental para a verdadeira integração no mundo atual. Porém, é baseado nesta premissa que se podem gerar alguns equívocos para os quais a maior parte dos responsáveis pelo sector educativo estão alerta. De facto, educação tecnológica é muito mais do que ensinar tecnologia às crianças. É seduzir os jovens para a utilização da Tecnologia de modo simples e aplicado à realidade, utilizando ferramentas que lhes permitam dar largas à sua criatividade e imaginação e abram caminhos adicionais para concretizarem os seus sonhos e projetos.

No entanto, não é claro que estas evidências bastem. Existem preconceitos que, de tão generalizados que estão, podem distorcer os verdadeiros objetivos da Educação tecnológica: Em primeiro lugar não é óbvio que aprender tecnologia pura e simples seja interessante para todos os jovens. Desenganem-se aqueles que pensam que todas as crianças gostam simplesmente de mexer em computadores ou até de jogos de computador! Não é de facto verdade. Mesmo quando assim é, a tecnologia só se aprende se aplicada ao que as crianças gostam de fazer. Ver filmes, desenhar, construir casas, escrever, fazer experiências, cozinhar, aprender a tocar um instrumento... Neste caso o que as crianças querem é utilizar as ferramentas para poderem fazer estas atividades. E com isto editam blogues, ou utilizam-nos para aprenderem sobre determinados temas, visitam o Youtube para terem exemplos de experiências como receitas ao vivo ou até tocarem um instrumento. Para isto é necessário saber utilizar o computador, é necessário saber resolver as questões das comunicações e dos vírus, ter ideia do que é a segurança na internet, ter a capacidade para resolver problemas e imprevistos, etc... Mas não é necessário saber programar! E este é um outro estigma. Educação tecnológica não é só ensinar a programar, ou pelo menos a programação tal como é hoje não é fundamental para se sobreviver no futuro!

A programação poderá e deverá fazer parte da educação tecnológica como uma forma de se dar mais conhecimento geral e de despertar vocações, mas nunca como fundamental para a inclusão no futuro. Nem todos gostarão de programar, assim como nem todos gostam de matemática ou de história. Há quem acredite que saber programar será como era o saber escrever há alguns anos. Mas não é verdade. Isso seria como dizerem há muitos anos atrás que quem não soubesse a tabuada não sobreviveria. E hoje quantas crianças, exemplares alunos, sabem a tabuada toda? Claro que não estamos a falar dos que optam por uma carreira na área da tecnologia/informática…

Por fim, de que valerá a tecnologia se não se souber estruturar os conceitos, as ideias e tudo aquilo que nos pode fazer concretizar os sonhos? Uma tecnologia com significado e propósito! A tecnologia pode facilitar este processo com ferramentas que possibilitam sistematizar e por vezes prototipar as ideias, de modo intuitivo, como há alguns anos atrás seria impossível. Na prática o conceito de Educação Tecnológica como hoje se entende tenderá a desaparecer porque a tecnologia estará imbuída em tudo o que fazemos.

João Baracho

João Baracho

Diretor Executivo do CDI Portugal