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El Corte Inglés: Paz custou mais de 8 milhões

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A horas de poder ser expulso do conselho de administração, renunciou ao cargo. No bolso de Dimas Gimeno ia uma indemnização que ajudou a pôr fim, em poucas horas, à disputa pela liderança da cadeia espanhola de armazéns El Corte Inglés.

Dimas Gimeno, que em 2014 chegou a CEO da empresa após a morte do tio, Isidoro Álvarez, desliga-se a partir de agora de quaisquer cargos diretivos no El Corte Inglés, depois de mais de dois meses de guerra aberta com as primas que quiseram afastá-lo do lugar.

O acordo com a rede de armazéns foi alcançado este fim-de-semana entre os advogados das duas partes, evitando que o gestor fosse expulso do conselho de administração de cuja liderança já tinha sido destituído em junho - uma decisão que Gimeno procurava impugnar judicialmente.

No centro da polémica estavam Gimeno – sobrinho de Álvarez – e as filhas adotivas deste, Marta e Cristina, que nos últimos anos foram conquistando poder e influência dentro do grupo. As filhas são também as principais acionistas da Isidoro Álvarez Sociedad Anónima, empresa que tem mais de um quinto do El Corte Inglés, e passaram a estar presentes na administração do maior acionista da empresa, a Fundação Ramón Areces (que tem 37,39% do capital).

Em paralelo, a assunção da parte da herança do tio – 31% que ficaram com Gimeno, a sua mãe e o seu tio César – obrigou este ramo da família a assumir perante o fisco uma dívida de 100 milhões de euros em imposto de sucessões, que enfraqueceu a sua posição.

Em outubro passado chegou o confronto aberto: as irmãs, também administradoras do El Corte Inglés, propuseram que Gimeno ficasse sem funções executivas e que estas fossem atribuídas a dois novos administradores delegados. Em junho foi substituído na liderança por Jesus Nuño de la Rosa e avançou para os tribunais para tentar impugnar a decisão.

Segundo o El País, que cinta fontes próximas do processo, a indemnização agora acordada com o El Corte Inglés (8,5 milhões de euros) inclui uma compensação de 2 milhões pela sua saída de diretor e de presidente e por ter dedicado a sua carreira à empresa, e outra de 1,5 milhões relacionada com o fim de funções na administração antes de tempo. A maior fatia do acordo – 5 milhões de euros – estará relacionada com uma cláusula que o impedirá de entrar noutra empresa usando a informação que detém sobre o El Corte Inglés.

Fontes próximas do antigo presidente referem que a aceitação de Dimas Gimeno decorre de não querer prolongar a exposição pública em torno deste conflito para evitar penalizar mais a imagem do El Corte Inglés. Na assembleia geral da empresa, ocorrida este domingo o atual presidente, Jesus Nuño de la Rosa, defendeu que a empresa deve concentrar-se em recuperar a unidade e deixar para trás os problemas de disputa de poder que marcaram os últimos meses.

“A nossa prioridade é consolidar a unidade como norma fundamental e base da nossa força. Unidade no conselho de administração. Unidade na direção da empresa. Unidade dos nossos empregados e colaboradores, " referiu o CEO em comunicado.