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Farfetch compra chinesa CuriosityChina

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José Neves, fundador da Farfetch

Lucília Monteiro

Valor da aquisição, num mercado que representa um terço do luxo a nível mundial, não foi revelada. É pelo menos a terceira aquisição no espaço de pouco mais de um ano e abre espaço à entrada das marcas de luxo no popular WeChat na China.

A plataforma de venda digital de moda de luxo Farfetch, fundada em Portugal e no Reino Unido, anunciou a compra da empresa chinesa de ativação digital CuriosityChina, que deverá permitir a expansão rápida das marcas de luxo representadas junto do mercado e dos consumidores da segunda maior economia do mundo.

Com a compra – cujo valor não foi revelado -, as marcas passam a ter acesso rápido ao mercado chinês e à gestão de clientes através de uma plataforma integrada com funcionalidades web, aplicação iOS, vendas através do serviço de mensagens WeChat (a mais popular aplicação do género na China), ferramentas de análise de mercado, de gestão de clientes (CRM) e de encomendas.

A empresa acrescenta que o serviço será prestado através da unidade de negócio Black & White da Farfetch, lançada há três anos para “alavancar as marcas com a tecnologia.”

“A Farfetch planeia disponibilizar esse conjunto de serviços à totalidade do portfolio de marcas parceiras da Farfetch e da CuriosityChina que estejam interessadas, estendendo os benefícios desta tecnologia única a um enorme leque de negócios, desde conglomerados de escala global a designers,” refere um comunicado da empresa liderada por José Neves (na foto).

Uma das possibilidades dadas às marcas é a de terem presença digital na aplicação de mensagens com maior penetração na China. Em dezembro do ano passado, segundo o jingdaily.com, a WeChat – desenvolvida pela Tencent – lançou uma nova funcionalidade, designada brand zone, onde as marcas podem expor online as suas lojas e outros conteúdos personalizados, fazendo a ponte entre o sistema de mensagens e o comércio eletrónico. Até janeiro, uma dezena de marcas de luxo já tinham usado o serviço.

“Praticamente tudo na China acontece no WeChat," disse à Bloomberg Giorgio Belloli, o administrador da Farfetch para a área comercial.

Às compras

Em pouco mais de um ano esta é pelo menos a terceira compra internacional realizada pela plataforma. Em abril do ano passado a Farfetch tinha comprado a boutique Browns em Londres e dois meses depois o Style.com à Condé Nast. Também em junho anunciou uma parceria com a empresa de comércio digital chinesa JD.com, que passava pelo investimento de 397 milhões de dólares na Farfetch

A tecnológica CuriosityChina foi criada em 2013, servindo de ponte para o mundo digital de mais de 80 insígnias internacionais de topo na moda, hotelaria, retalho, lifestyle e media, entre as quais Louis Vuitton, Dolce&Gabbana, Moleskine, Christofle, Condé Nast ou Crédit Suisse. Além de Pequim e Xangai, a empresa tem escritórios em Hong Kong e Paris.

Todos os postos de trabalho na CuriosityChina serão mantidos com a compra e a co-fundadora, Judy Liu, passará a managing director da Farfetch na China, enquanto os outros dois co-fundadores, Alexis Bonhomme e Arthur Shiu, assumirão cargos de liderança nas áreas comercial e tecnológica da Farfetch na China.

Segundo dados citados pelo site TechCrunch, o mercado de luxo estava avaliado no ano passado em 262 mil milhões de euros (dados da Bain), tendo a China representado 32% desse valor (em compras feitas dentro e fora do país).