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Mango à venda?

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Dívida de 500 milhões pressiona finanças da marca espanhola. Empresa está a renegociar com bancos

A marca espanhola Mango terá aberto, pela primeira vez, as portas a um cenário de venda, depois de ter apresentado prejuízos pela primeira vez na sua história, ao reportar um resultado líquido negativo superior a 60 milhões de euros, no último exercício.

Segundo o espanhol El Confidencial, os resultados apanharam os credores de surpresa e estão a pressionar a empresa do milionário Isaak Andic, um dos homens mais ricos da Catalunha. A publicação escreve ainda que Andic se sentou à mesa com os principais credores – os bancos Sabadell, CaixaBank e Santander – para tentar renegociar os prazos da dívida e baixar o valor dos juros, num acordo que incluirá, pela primeira vez, uma cláusula de “mudança de controlo”. Esta tem sido interpretada como uma tentativa de Andic de encontrar um comprador para a marca, cujas vendas caíram significativamente no último ano.

Em Portugal a Mango tem atualmente 55 lojas, sendo que no ano passado, em fevereiro abriu a megastore do Chiado e em novembro uma flagship store com cerca de 1000 metros quadrados nos Restauradores, também em Lisboa. Na ocasião, os responsáveis afirmavam a importância do investimento de 2,6 milhões de euros em Portugal, mercado que representa 2% da faturação da marca catalã. Lisboa recebeu esta mega loja depois de Nova Iorque e de Madrid. Equipada com tecnologia de ponta, tinha como principal objetivo reforçar as vendas físicas, numa altura em que as vendas online cresciam a dois dígitos.

No entanto, os esforços parecem não estar a ser suficientes para convencer os credores. No final deste ano vence uma primeira prestação da dívida, no valor de 170 milhões de euros, sendo que o restante montante deve ser pago entre 2019 e 2020. A empresa procura estender esse prazo de pagamento, de olho nos resultados operacionais do exercício corrente. Apesar de ainda ser cedo para adivinhar um desfecho – o El Confidencial adianta que as negociações estão em fase inicial–, a verdade é que estas informações poderão pressionar ainda mais a companhia, ainda que fontes do mercado garantam que os resultados da empresa terão aumentado em mais de 45 milhões de euros durante o primeiro semestre deste ano, e em comparação com igual período do ano anterior. Estes números não foram, no entanto, confirmados, uma vez que as contas oficiais deverão ser apresentadas durante as próximas semanas.

Recorde-se que a Mango foi criada em 1984, dez anos depois do surgimento da sua principal concorrente, a também espanhola Zara.