Exame

Siga-nos nas redes

Perfil

Portuguesa Critical Software e BMW criam empresa para construir o automóvel do futuro

Exame

BMW I - A BMW criou um departamento autónomo para criar o elétrico i3 e superdesportivo híbrido i8, de modo a garantir que os engenheiros e designers não fossem «contaminados» pelas ideias tradicionais

Constituição da Critical TechWorks poderá estar autorizada em julho e vai ter sede no Porto. Investimento e modelo de partilha de capital não foram divulgados.

A portuguesa Critical Software e o grupo alemão BMW anunciaram esta segunda-feira a constituição da Critical TechWorks, uma joint-venture para "construir o carro do futuro e os novos paradigmas da mobilidade".

O objetivo, de acordo com o CEO da companhia portuguesa, Gonçalo Quadros, é desenvolver o "software implantado em todos os carros do grupo," num projeto que pretende ser "referência global de construção do carro de futuro".

A nova companhia ficará sediada no Porto e terá uma outra localização em Lisboa, em dois centros de engenharia integrados e paralelos onde se trabalhará na engenharia de software embebido a bordo do veículo e digitalização de processos corporativos, envolvendo as áreas da inteligência artificial, big data, ecossistemas de clientes, conetividade entre veículos e partilha de viaturas.

A constituição da joint-venture está dependente da luz verde da concorrência (para prevenir a situação de lock of talents e a geração de assimetrias no mercado) e espera-se que possa acontecer em julho. Gonçalo Quadros, que não antecipa obstáculos na aprovação da operação, não quis no entanto revelar o valor do investimento envolvido nem qual será a repartição de capital entre as empresas portuguesa e alemã.

Além do trabalho que a Critical já desenvolveu no passado com a BMW, o CEO justificou a parceria e o interesse dos alemães nesta extensão da parceria com o facto de o País estar a piscar no mapa dos investidores internacionais: "Portugal transformou-se num destino onde os mais exigentes sabem que encontram engenharia de qualidade," afirmou.

A relação com a marca alemã será exclusiva para o mercado automóvel e não está prevista a entrada de novos parceiros nacionais: "É uma empresa entre a Critical e a BMW e assim se manterá," afirmou.

O presidente executivo espera que a parceria tenha um "impacto grande" nas contas da empresa (que no ano passado faturou mais 12%, para 32 milhões de euros) e compara o efeito com o que aconteceu depois do acordo com a NASA, em que a venda da solução Xception levou ao licenciamento do produto junto das agências espaciais europeia, japonesa e chinesa.