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Construção arrefece e provoca desaceleração do investimento

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José Carlos Carvalho

O investimento em Portugal teve o crescimento mais baixo desde meados de 2016, devido à travagem da construção. O INE confirmou também o abrandamento da economia nacional.

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar

Jornalista

Segundo os dados publicados esta manhã pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a formação bruta de capital fixo (FBCF) avançou 4,7% nos primeiros três meses de 2018, em comparação com o mesmo período do ano passado, prosseguindo uma tendência de desaceleração que persiste há três trimestres consecutivos.

As contas do INE mostram que a construção é a responsável por esta perda de dinamismo. A rubrica, que vale quase metade do investimento total feito no País, cresceu a uma média trimestral superior a 9% ao longo de 2017. O primeiro trimestre deste ano parece estar a representar uma descida à Terra, tendo aumentado apenas 2,3%.

“O abrandamento da formação bruta de capital fixo (FBCF) resultou, em grande medida, do crescimento menos intenso da FBCF em Construção, que passou de uma variação homóloga de 7,9% no 4º trimestre para 2,3%. Refira-se que em março se registaram elevados níveis de precipitação, o que poderá ter condicionado a atividade de construção”, pode ler-se no destaque do INE.

As restantes rubricas parecem continuar a apresentar um comportamento saudável. O investimento em equipamento de transporte avançou 11,7%, depois de ter caído no trimestre anterior. Outras máquinas e equipamento aceleraram de 8% para 9,2% e os produtos de propriedade intelectual continuaram a crescer em torno de 1%.

Apesar de a formação bruta de capital fixo ter arrefecido, o investimento total até cresceu ligeiramente mais, mas apenas devido à variação dos stocks das empresas.

A mesma publicação do INE confirma que a economia portuguesa cresceu 2,1% nos primeiros três meses de 2018, o que revela uma desaceleração face aos valores atingidos nos trimestres anteriores.