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FMI avisa Portugal que “os riscos externos aumentaram”

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BRENDAN SMIALOWSKI

Na sua mais recente avaliação da economia portuguesa, o FMI vê a economia a continuar a crescer, mas avisa que os riscos, em grande medida vindos de fora, são hoje mais preocupantes e podem afetar "substancialmente" Portugal.

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar

Jornalista

“O crescimento rico em emprego continuou no ano passado, apoiado numa recuperação do investimento e das exportações e as perspetivas continuam a ser largamente favoráveis”, pode ler-se no comunicado enviado no final da missão de preparação do Artigo IV.

Os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que o abrandamento observado no arranque do ano se deveu a “a fatores temporários que afetaram as exportações”. Ainda assim, a previsão é que haja um arrefecimento progressivo, com um crescimento de 2,3% este ano e 1,8% em 2019. No médio prazo, a economia tende para uma variação anual de 1,4%.

No mercado de trabalho, as notícias continuam a ser positivas, com uma descida do desemprego até aos 7,4% (valor de março) e recuos noutros indicadores de subutilização da mão-de-obra. Isso é bom para a economia, mas o FMI alerta que algumas empresas começam a ter dificuldades em preencher vagas, principalmente aquelas que exigem mais qualificações.

Em resumo, as perspetivas de curto-prazo continuam “favoráveis”, mas “os riscos externos aumentaram recentemente”.

O Fundo explica que os últimos meses trouxeram uma vaga de incerteza global, com os indicadores avançados a demonstrarem maior debilidade e alguma instabilidade política a surgir em parceiros comerciais. “É um aviso que as condições externas, embora ainda benignas, podem tornar-se menos favoráveis”, escreve o FMI. “O enfraquecimento do crescimento da zona euro, afetaria substancialmente Portugal, uma economia aberta, cujas exportações têm sido bem-sucedidas a aumentar a sua presença em mercados estrangeiros.”

Apesar de os maiores riscos virem de fora, o Fundo estima que eles seriam “amplificados” pelas “vulnerabilidades internas” do país, nomeadamente a reversão de medidas tomadas nos últimos anos que, segundo o FMI, têm ajudado a recuperação.

Os técnicos estão provavelmente a referir-se às reformas no mercado laboral, avisando que "introduzir nova rigidez, ou reintroduzir antigas, minaria a competitividade e a produtividade e tornaria difícil às empresas gerir a flutuação da procura".