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Exportações têm pior mês em quase seis anos

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Luís Barra

A venda de bens ao exterior caiu 5,7% em março, em comparação com o mesmo mês do ano passado. É preciso recuar até setembro de 2012 para encontrar uma queda tão expressiva. Em parte, isso deve-se a efeitos de calendário, mas as exportações têm estado a abrandar desde o final do ano passado.

“Em março de 2018, as exportações de bens registaram uma variação homóloga nominal de -5,7%, em sentido contrário ao crescimento verificado no mês anterior (+5,8%). As importações de bens aumentaram 0,1%, correspondendo a uma desaceleração face à variação registada em fevereiro de 2018 (+8,1%). Estas evoluções refletem, em parte, efeitos de calendário, dado que março de 2018 teve menos dois dias úteis do que março de 2017”, escrevem os técnicos do INE. É o primeiro recuo das vendas em ano e meio e a maior queda em quase seis anos.

O perfil de dias úteis de 2018 penalizou a saída de bens para o exterior, mas não será a única explicação. Desde novembro do ano passado que as exportações têm arrefecido e no primeiro trimestre deste ano observa-se um crescimento de apenas 2,7% face ao mesmo período de 2016. Ao mesmo tempo, as importações avançaram 6,3%. A conjugação dos dois movimentos resulta num agravamento do défice da balança comercial de bens.

“O défice da balança comercial de bens foi de 1 207 milhões de euros em março de 2018, o que representa um acréscimo de 306 milhões de euros face ao mês homólogo de 2017”, acrescenta o INE. “Excluindo os Combustíveis e lubrificantes a balança comercial atingiu um saldo negativo de 915 milhões de euros, correspondente a um aumento do défice de 231 milhões de euros em relação a março de 2017.”

Se olharmos apenas para março, as maiores quedas ocorrem entre as exportações de fornecimentos industriais e os bens de consumo, com contrações de 7,2% e 10,5%, respetivamente. No que diz respeito aos países de destino das vendas, EUA (-20,6%) e Angola (-27,7%) registam a maiores quebras. Entre os principais clientes portugueses, apenas a Alemanha cresce (0,9%).