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Desempregados demoram menos seis meses a encontrar trabalho

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Tiago Miranda

Portugal continua a ter um dos níveis mais elevados de desemprego de longa duração da Europa. Mas esse grupo de pessoas é cada vez menos denso. Um esvaziamento que ajuda a explicar por que continua o desemprego a cair.

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar

Jornalista

Os desempregados há mais tempo há procura de trabalho começam a abandonar as filas dos centros de emprego. Segundo um estudo que o Banco de Portugal deu hoje a conhecer com o seu Boletim Económico, o número de desempregados de muito longa duração (à procura de emprego há dois ou mais anos) caiu 28,5% em 2017. A redução é expressiva e fez mossa no desemprego, sendo responsável por dois terços da redução observada no ano passado e pela descida da duração mediana do desemprego de 23 para 17 meses em 2017.

A história da recuperação do mercado de trabalho português tem várias fases. O desemprego de curta duração (menos de um ano de procura) começou a recuperar ainda em 2013. Um ano depois, o número de desempregados sem trabalho entre 12 e 24 meses inicia uma trajetória de descida. Só a partir de 2015 é que o grupo dos desempregados de muito longa duração (mais de 24 meses) se começa a esvaziar, tendo essa queda acelerado bastante em 2017. Depois de as duas primeiras categorias terem abrandado o ritmo de subida agora é esta última que mais dinamiza o mercado de trabalho.

Quem são estas pessoas? Em comparação com a generalidade dos desempregados, são mais velhos e menos qualificados. Pouco mais de 1/4 tem menos de 35 anos e apenas 16% é licenciado. Um perfil tipicamente associado a mais dificuldades em encontrar trabalho.

Importa referir que nem todos aqueles que deixam de ser desempregados encontraram trabalho. Alguns simplesmente passaram para a inatividade (reformaram-se ou deixaram de procurar trabalho), mas os últimos anos trouxeram também um aumento expressivo daqueles que passaram dessa situação de desemprego para o emprego. Como seria de esperar, a diferença entre aqueles que passam para o emprego face aqueles que se tornam inativos é a idade (são mais jovens) e as qualificações (há mais licenciados).

Quando regressam, de facto, ao mercado de trabalho verifica-se que a esmagadora maioria o faz por conta de outrem e que mais de metade assina um contrato a prazo. O peso destes vínculos mais precários tende a ser maior no regresso de períodos mais longos de desemprego do que em períodos mais curtos.

“A queda significativa do desemprego de muito longa duração foi um dos traços mais marcantes da evolução do mercado de trabalho português em 2017”, escreve o autor do artigo, Fernando Martins. “A diminuição da elevada prevalência do desemprego de muito longa duração deve assumir um papel central na formulação das políticas de redução do desemprego, sabendo-se do impacto que durações muito prolongadas do desemprego têm na taxa de pobreza, no risco de exclusão social, na incidência de problemas de saúde e no produto potencial da economia.”

Embora os desenvolvimento sejam positivos, nem tudo são boas notícias. Continua a haver uma bolsa de pessoas que não consegue sair do desemprego. Entre os desempregados de muito longa duração (mais de 24 meses), a média de tempo de procura são cinco anos.

Além disso, Portugal continua a ser um dos países onde o desemprego mais prolongado tem um peso maior. Segundo os dados do Eurostat, apenas três países da Zona Euro tinham valores mais elevados.