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Cambridge Analytica fecha depois do escândalo Facebook

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Jack Taylor/ Getty Images

Perda de clientes e aumento do número de processos em tribunal podem ter contribuído para o encerramento da atividade, avança o The Wall Street Journal. Operações encerraram esta quarta-feira.

A Cambridge Analytica, empresa que trabalhou para a campanha de Donald Trump e que está envolvida no uso não autorizado de dados de milhões de utilizadores do Facebook, encerrou a sua atividade.

A notícia é avançada pelo The Wall Street Journal, que cita o fundador do grupo britânico SCL Group (detentor da Cambridge Analytica), Nigel Oakes. O responsável confirma que tanto a empresa-mãe como a subsidiária estão em processo de fecho.

O jornal refere que a decisão de pôr fim à atividade está relacionada com a perda de vários clientes e com a existência de vários processos legais contra a companhia. A Cambridge Analytica encerrou oficialmente esta quarta-feira, dia em que os colaboradores tiveram ordens para entregar os seus computadores, acrescenta o mesmo meio.

A decisão surge depois de o CEO da empresa, Alexander Nix, ter sido suspenso de funções em março, na sequência da divulgação de uma gravação vídeo que mostrava o responsável a oferecer serviços envolvendo subornos e chantagem sexual.

A Cambridge Analytica usou indevidamente dados recolhidos entre 2014 e 2015 pela aplicação “thisisyourdigitallife” junto de 270 mil utilizadores da rede social Facebook e que permitiram chegar aos dados de 87 milhões de pessoas, entre os quais mais de 63 mil utilizadores portugueses.

O uso desses dados e o apuramento de características individuais terá permitido, segundo um antigo colaborador da Cambridge Analytica, Christopher Wylie, definir perfis-tipo de eleitores que poderiam depois ser impactados com mensagens específicas, influenciando o eleitorado. A empresa trabalhou para a equipa de Donald Trump na campanha para as eleições de 2016 nos EUA e chegou a ter como vice-presidente Steve Bannon, à altura estratega do candidato republicano.

O presidente da Facebook, Mark Zuckerberg, já foi chamado ao Congresso norte-americano para explicar o caso e o Parlamento britânico também já requereu a sua comparência.