Cambridge Analytica fecha depois do escândalo Facebook
02.05.2018 às 19h32
Jack Taylor/ Getty Images
Perda de clientes e aumento do número de processos em tribunal podem ter contribuído para o encerramento da atividade, avança o The Wall Street Journal. Operações encerraram esta quarta-feira.
A Cambridge Analytica, empresa que trabalhou para a campanha de Donald Trump e que está envolvida no uso não autorizado de dados de milhões de utilizadores do Facebook, encerrou a sua atividade.
A notícia é avançada pelo The Wall Street Journal, que cita o fundador do grupo britânico SCL Group (detentor da Cambridge Analytica), Nigel Oakes. O responsável confirma que tanto a empresa-mãe como a subsidiária estão em processo de fecho.
O jornal refere que a decisão de pôr fim à atividade está relacionada com a perda de vários clientes e com a existência de vários processos legais contra a companhia. A Cambridge Analytica encerrou oficialmente esta quarta-feira, dia em que os colaboradores tiveram ordens para entregar os seus computadores, acrescenta o mesmo meio.
A decisão surge depois de o CEO da empresa, Alexander Nix, ter sido suspenso de funções em março, na sequência da divulgação de uma gravação vídeo que mostrava o responsável a oferecer serviços envolvendo subornos e chantagem sexual.
A Cambridge Analytica usou indevidamente dados recolhidos entre 2014 e 2015 pela aplicação “thisisyourdigitallife” junto de 270 mil utilizadores da rede social Facebook e que permitiram chegar aos dados de 87 milhões de pessoas, entre os quais mais de 63 mil utilizadores portugueses.
O uso desses dados e o apuramento de características individuais terá permitido, segundo um antigo colaborador da Cambridge Analytica, Christopher Wylie, definir perfis-tipo de eleitores que poderiam depois ser impactados com mensagens específicas, influenciando o eleitorado. A empresa trabalhou para a equipa de Donald Trump na campanha para as eleições de 2016 nos EUA e chegou a ter como vice-presidente Steve Bannon, à altura estratega do candidato republicano.
O presidente da Facebook, Mark Zuckerberg, já foi chamado ao Congresso norte-americano para explicar o caso e o Parlamento britânico também já requereu a sua comparência.
Relacionados
-
Como o "miúdo disléxico da Internet" chegou ao poder de decidir quem chega à Sala Oval
Quem é Chris Wylie e como aos 24 anos criou o algoritmo que terá influenciado o referendo do Brexit e as eleições norte-americanas com base em informações retiradas do Facebook. A mais conhecida rede social do planeta está a ser investigada nos dois lados do Atlântico e reconhece que cometeu erros. Os inquéritos, os processos e as multas podem multiplicar-se
-
Perguntas dos senadores a Zuckerberg alimentam Twitter e vários memes
Um dos tweets mais populares sobre a comparência do fundador do Facebook perante o Congresso norte-americano diz que que Mark Zuckerberg "viveu o pior pesadelo de todos os jovens: tentar explicar como funciona a tecnologia aos mais velhos"
-
Facebook admite vulnerabilidade dos dados de 2,2 milhões de utilizadores
O fundador do Facebook Mark Zuckerberg admitiu que os dados de 2,2 milhões de utilizadores "podem ter sido acedidos indevidamente"
-
Confuso com as políticas do Facebook? Empresa promete tornar tudo mais claro
Depois do escândalo da Cambridge Analytica e quando falta cerca de um mês para entrar em vigor regulamentação comunitária sobre a proteção de dados, a companhia liderada por Mark Zuckerberg está a rever as suas políticas.
-
Sem Cambridge Analytica ‘Brexit’ teria sido derrotado
Ex-funcionário que denunciou práticas ilegais da Cambridge Analytica foi ouvido esta manhã por deputados britânicoa e entregou vários documentos que provam a sua versão dos factos.