Exame

Siga-nos nas redes

Perfil

Facebook: Zuckerberg prepara-se para assumir erro no Capitólio

Exame

O fundador da maior rede social do mundo mudou-se, durante uns dias, para Washington D.C, onde vai esclarecer o que se passou no escândalo da Cambridge Analytica.

Esta segunda-feira começaram as reuniões informais, hoje, terça-feira, 10 de abril, é dia de formalmente falar à comissão que investiga o escândalo da falha na proteção de dados dos utilizadores do Facebook e amanhã o empresário fala ao Congresso, no Capitólio. No entanto, já se sabe o que Zuckerberg se prepara para afirmar perante os congressistas americanos: assume inteiramente a responsabilidade do problema e pedirá desculpa. O discurso do fundador do Facebook foi disponibilizado na íntegra pela própria Câmara dos Representantes, que amanhã às 10h (17h de Lisboa) o vai questionar.

Perante os representantes do povo americano, o empresário vai ainda lembrar que o Facebook é uma “empresa idealista e otimista”, e que a sua principal intenção é ligar pessoas. Vai aproveitar para recordar que “mais de 70 milhões de pequenos negócios usam o Facebook para crescer e criar empregos”, que “recentemente vimos os movimentos #metoo e ‘March for Our Lives’ a serem organizados, pelo menos em parte, no Facebook”, e ainda que depois do tornado Harvey “as pessoas juntaram mais de 20 milhões de dólares para ajudar” os afetados.

“Criei o Facebook, sou eu quem o gere e sou responsável pelo que acontece aqui”, lê-se ainda no documento. “É agora muito claro que não fizemos o suficiente para prevenir que estas ferramentas fossem usadas para o mal, também”, afirmará antes de dizer que não tiveram uma visão global da sua responsabilidade e que isso foi “um grande erro”.

Zuckerberg vai ainda garantir que não sabia da utilização indevida de dados de utilizadores da rede pela Cambridge Analytica, e elencará as várias medidas que já tomou para reforçar a proteção de dados. Ao longo das últimas semanas o Facebook tem feito variados comunicados em que explica que mudanças introduziu para garantir um mais elevado nível de segurança aos seus utilizadores, tentando reforçar a mensagem que vai repetir esta quarta-feira – e possivelmente, hoje também: “Dei indicações para que as nossas equipas investissem muito na segurança – além de outros investimento que estamos a fazer, o que vai ter um significativo impacto na nossa rentabilidade”, dirá. “Mas quero ser claro quanto à nossa prioridade: proteger a nossa comunidade é mais importante que maximizar os lucros”.

Mas o empresário aproveitará ainda para falar sobre a alegada manipulação russa durante a campanha presidencial de Donald Trump – uma vez que a Cambridge Analytica também poderá estar envolvida nas movimentações.

A pouco mais de uma hora do início da audição os títulos do Facebook negociavam em terreno positivo, a valer cerca de 159 dólares, na bolsa de Nova Iorque.

O Facebook tem atualmente mais de dois mil milhões de utilizadores, e estima-se que 80 milhões tenham sido afetados por este dominó de utilização indevida dos dados fornecidos àquela rede social. Mais de 70 milhões serão cidadãos norte-americanos. Em Portugal, as estimativas apontam para que pouco mais de 60 mil pessoas tenham sido atingidas.