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Fundações aplicam um milhão para acelerar startups do mar

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Marcos Borga

O programa Blue Bio Value, lançado pela Oceano Azul e pela Calouste Gulbenkian, começa a aceitar candidaturas em junho e quer atrair startups internacionais para o desenvolvimento dos biorrecursos marinhos do País.

Os projetos das startups nacionais e internacionais ligadas à bioeconomia azul vão poder beneficiar, a partir de junho e ao longo de três anos, de apoios no valor de um milhão de euros para desenvolver em Portugal oportunidades de negócio para produtos e serviços sustentáveis naquele domínio.

O programa internacional de aceleração de projetos e startups Blue Bio Value (BBV), para o desenvolvimento dos biorrecursos marinhos no País, foi lançado esta quarta-feira, 4 de abril, no âmbito de um protocolo de colaboração assinado em Lisboa pelas fundações Oceano Azul e Calouste Gulbenkian.

Esta é a primeira iniciativa conjunta das duas fundações, que pretendem desta forma apoiar o surgimento de projetos empresariais sustentáveis em indústrias como a farmacêutica, alimentar, cosmética, de biocombustíveis ou têxtil.

Os primeiros projetos deverão começar a beneficiar do BBV a partir de setembro/outubro. O financiamento é garantido a 50% - 50% pelas duas fundações.

O objetivo é contribuir para que Portugal, com os recursos, a experiência e os centros tecnológicos que já detém no domínio do mar, possa vir a ser líder europeu na área da biotecnologia marinha.

José Soares dos Santos, presidente da Fundação Oceano Azul (na foto), defendeu que esta é uma ação de interesse público alinhado com o interesse estratégico que Portugal tem no mar, e que os recursos marítimos de que Portugal dispõe dão ao país a obrigatoriedade de liderança na proteção daquele recurso. "Se houvesse o Mar20 como há o G20, Portugal estaria lá, provavelmente no lugar 10," afirmou, acrescentando que este projeto de estímulo à inovação se enquadra na ambição de ter uma economia que "acrescenta valor e não tem trabalho a baixo preço."

Já a presidente da Fundação Calouste Goulbenkian, Isabel Mota, destacou o objetivo do programa de tornar Portugal num pólo internacional para as empresas que operam na indústria da biotecnologia marinha e disponibilizou-se para "unir competências e recursos para contribuir para a definição das políticas públicas do mar, trabalhando de perto com as ONG e com o Governo".

Mais 600 milhões de euros para apoiar os oceanos

Na apresentação do protocolo, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, afirmou que as empresas candidatas a este mecanismo de apoio têm ainda à sua disposição mais 600 milhões de euros para o desenvolvimento de iniciativas empresariais sustentáveis, via instrumentos de financiamento como o Fundo Azul, o EEA Grants ou o programa operacional Mar 2020.

E respondeu ao desafio deixado minutos antes por Soares dos Santos, para que o Estado venha a ser parceiro da iniciativa BBV: "Esse milhão não é pouco dinheiro, é muito dinheiro se for bem aplicado e usadas as bases que estão à vossa disposição. (...) Depende agora mais de vós do que de nós," afirmou a governante, referindo-se aos apoios já existentes e desafiando ambas as fundações a participarem nos Campus do Mar em desenvolvimento no Porto e em Lisboa.

O diretor-geral da Política do Mar, Ruben Eiras, especificou que as verbas públicas reunidas no Fundo Azul (54 milhões de euros até ao final da legislatura), podem interagir com a iniciativa BBV por três vias: permitindo acelerar as iniciativas de I&D apoiadas e que já tenham maturidade tecnológica; apoiando as empresas beneficiadas pelo BBV através das linhas de empréstimo do Fundo Azul; ou co-financiando a possível entrada das duas fundações no capital de startups.

Se no caso do Fundo Azul o apoio às iniciativas pode ir até aos 90%, no caso do Mar 2020 (com 508 milhões de euros disponíveis), esse apoio pode chegar aos 100%. Já o EEA Grants (com uma verba de 45 milhões de euros) vai direcionar 70% do orçamento para proketos empresariais e começa a funcionar em junho deste ano.

Segundo os dados divulgados na conferência, o setor da biotecnologia marinha deverá representar a nível global um volume de negócios superior a 6.000 milhões de euros em 2025, enquanto a OCDE estima que a economia azul gere cerca de 1,5 triliões de dólares por ano.

Em Portugal, a Conta Satélite para o Mar conclui que o valor acrescentado bruto da economia azul representou 3,6% do emprego na economia e o objetivo é aumentar o peso total na economia para os 5%, duplicando o valor existente no início da legislatura, de acordo com números do Governo.