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Confuso com as políticas do Facebook? Empresa promete tornar tudo mais claro

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Jaap Arriens / GettyImages

Depois do escândalo da Cambridge Analytica e quando falta cerca de um mês para entrar em vigor regulamentação comunitária sobre a proteção de dados, a companhia liderada por Mark Zuckerberg está a rever as suas políticas.

A empresa que gere a rede social Facebook está a rever os termos de utilização dirigidos aos inscritos na plataforma e a acrescentar informações sobre os dados pessoais numa altura em que faltam poucas semanas para a entrada em vigor do regulamento europeu de proteção de dados.

Em causa estão novas versões dos termos de serviços e política de dados, que serão aplicáveis na operação global da empresa, e que vão ser postas à consideração dos utilizadores durante os próximos sete dias. A ideia é fazê-lo antes de serem aprovados os termos finais, refere a Reuters.

Num comunicado enviado às redações através da sua agência de comunicação em Portugal, a empresa liderada por Mark Zuckerberg refere que a revisão que será levada a cabo não acrescentará novos direitos à empresa para usar os dados dos utilizadores. “O Facebook não está a pedir novos direitos de recolha, utilização e partilha e dados aos utilizadores, nem a alterar nenhuma das opções de privacidade feitas por estes até à data,” refere.

Segundo a nota, pretende-se que, na altura de aceitar os termos e as condições da plataforma, o utilizador os perceba com maior clareza, nomeadamente descrevendo os serviços oferecidos “numa linguagem fácil de entender”. O Facebook promete ainda maior transparência sobre o processo de recolha e o uso dos dados por outras aplicações do seu universo, como o Instagram ou o Messenger.

As alterações surgem semanas depois de o Facebook se ter visto envolvido na polémica da alegada utilização abusiva de dados recolhidos por terceiros junto de membros daquela rede social. Dados de cerca de 50 milhões de utilizadores que depois foram usados na definição de perfis-tipo pela empresa Cambridge Analytica (que trabalhou para a campanha de Donald Trump nos EUA) com o intuito de conceber mensagens políticas dirigidas individualmente.

A Reuters nota que o esboço de novos termos, apesar de pretender ser mais claro, é ainda mais extenso do que o atual documento – com mais de quatro mil palavras, é 50% mais longo do que o existente. Entre os novos compromissos está este: "Não vendemos os dados dos utilizadores a ninguém, nem nunca o faremos.”

No comunicado lê-se que com a revisão em curso o Facebook pretende fornecer mais informação sobre os recursos introduzidos recentemente (como a realização de compras ou angariações de fundos), sobre como é que os dados dos utilizadores são usados, como é que os seus parceiros os podem utilizar e divulgar, que género de anúncios é que o utilizador vê e porquê, que informação recolhe – e porquê - quando são sincronizados os contactos de alguns dos seus produtos (como o histórico de chamadas e sms) e como é que combate o abuso e investiga atividades suspeitas.

Ao fim dos sete dias de consulta, os utilizadores terão de concordar com os termos de utilização e a política de dados, “juntamente com informação sobre as opções que têm sobre a sua privacidade,” acrescenta o comunicado.

Há três anos que os termos não eram revistos e a política de dados há mais de dois anos que não era alterada.