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Ryanair ameaça reduzir aviões em Portugal se greve na Páscoa for para diante

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A administração da empresa acusa trabalhadores de outras companhias de estarem por detrás da paralisação e diz que além do impacto salarial e na imagem da companhia, a greve pode levar a rever o número de aviões baseados no país.

A companhia aérea Ryanair está a ameaçar reduzir o número de aviões alocados às bases que detém em Portugal se a greve convocada pelos tripulantes de cabine para o período de Páscoa se concretizar. Segundo a Lusa, a intenção de reanalisar o número de aparelhos baseados em solo nacional consta de um um memorando enviado pela empresa aos trabalhadores, a que a agência teve acesso.

“Se estas greves desnecessárias avançarem, vão perder salário, prejudicar o bom nome dos tripulantes de cabine da Ryanair junto dos nossos clientes e teremos que rever o número de aeronaves atualmente baseadas em Portugal,” lê-se no documento citado pela Lusa e assinado por Eddie Wilson, responsável pelos recursos humanos da companhia aérea.

Uma das possibilidades é desviar aviões das bases portuguesas, mantendo-os no entanto ao serviço das rotas com origem e destino em aeroportos nacionais. Em Portugal a companhia tem quatro bases – Lisboa, Porto, Faro e Ponta Delgada. Em abril de 2015, quando inaugurou a base açoriana, a Ryanair tinha 14 aviões baseados. Atualmente serão cerca de duas dezenas de aparelhos, podendo aumentar em função da época alta.

A administração pediu aos trabalhadores que ignorassem a greve e está a avisar os clientes de possíveis perturbações. E acusou ainda tripulantes de outras companhias de estarem por detrás da convocação da greve, sublinhando que o memorando enviado na segunda-feira ao SNPVAC “já reconhece o sindicato, concorda incorporar a lei portuguesa nos contratos existentes e propõe negociar um acordo coletivo de trabalho” na reunião de abril, sublinha a Lusa.

Esta quarta-feira o presidente da companhia não afastou a possibilidade de cancelamentos de voos, mas estimou que a paralisação deverá ter um “pequeno” impacto. “Depende da quantidade de perturbações que existam. Não podemos pô-las de parte, mas serão em pequena escala,” antecipou esta quarta-feira em Viena o CEO da companhia de baixo custo, Michael O’Leary, citado pela Reuters. Segundo os números deixados por O’Leary, esta quinta-feira – primeiro dia de greve - está planeada a realização de 90 voos com origem e destino em aeroportos de Portugal.

A greve marcada pelo pessoal de cabine compreende além do dia de amanhã, os próximos domingo e segunda-feira. O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) quer que a Ryanair ponha fim aos processos disciplinares instaurados por não se terem atingido “quotas de vendas a bordo" e deixe de considerar baixa médica por doença uma falta injustificada. A gestão de processos disciplinares não será revista por estarem dentro da lei europeia e irlandesa, defende a administração no memorando citado pela Lusa.

A 21 de fevereiro, segundo esta agência, O’Leary já tinha rejeitado as acusações de pressões aos trabalhadores da empresa, defendendo que "as condições até têm vindo a melhorar,” nomeadamente em termos de direitos a folgas no final da semana e a aumentos salariais superiores em 25 a 45 euros por ano.

Esta terça-feira o SNPVAC deu por concluídas as negociações com a transportadora, por terem sido “infrutíferas” e confirmou o avanço para a greve.