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Novo Banco com prejuízos de 1.395 milhões de euros

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Marcos Borga

Contas ficam marcadas por um aumento de quase 50% das imparidades reconhecidas, que superaram os 2.000 milhões de euros. O Mecanismo de Capital Contingente foi chamado no montante de 791,7 milhões de euros.

O Novo Banco terminou o ano passado com prejuízos de 1.395,4 milhões de euros, uma subida de 77% e o valor mais elevado desde que a instituição foi alvo de medida de resolução do Banco de Portugal, em 2014, anunciou esta quarta-feira a instituição em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O exercício fica marcado pelo reconhecimento massivo de imparidades por parte do banco presidido por António Ramalho - aumentaram 49,6% para 2.056,9 milhões de euros, sobretudo associadas a crédito e outros ativos -, para antever potenciais perdas futuras, de acordo com as exigências das autoridades europeias.

O impacto das perdas reconhecidas no capital do banco obrigou a ativar o Mecanismo de Capital Contingente, levando o Fundo de Resolução a injetar 791,7 milhões de euros. O valor poderá ser em parte coberto por financiamento obtido junto do Tesouro, se o fundo financiado por contribuições da banca não tiver meios financeiros suficientes.

Aquele mecanismo, criado aquando da venda da instituição aos norte-americanos da Lone Star, é acionado quando os rácios de capital do banco se degradam e caem abaixo da fasquia de 12,5%, e prevê que o Novo Banco possa ser compensado até 3.890 milhões de euros pelo Fundo de Resolução por perdas reconhecidas com alguns ativos problemáticos.

Segundo as contas dadas a conhecer hoje, em seis meses o valor líquido dos ativos incluídos neste mecanismo passou de 7.900 milhões de euros para 5.400 milhões de euros. Já exercício terminou com um rácio de capital CET1 phased-in de 12,8% e um rácio de solvabilidade de 13%.

O mecanismo foi contabilizado na rubrica "outros resultados de exploração", que inclui ainda os 66 milhões de euros de mais-valia pela venda do Novo Banco Ásia e custos das contribuições para o Fundo Único de Resolução e para o Fundo de Resolução nacional

Sem considerar a ativação deste mecanismo, o resultado operacional desceu 11,6% para 341,7 milhões de euros e o produto bancário recuou 8,9% para 890,9 milhões de euros, penalizado sobretudo pela descida de 23,3% do resultado financeiro, já que a receita dos serviços a clientes (comissões) cresceu 17,2%.

A carteira de crédito caiu 6,9% para 2.300 mil milhões de euros, enquanto os depósitos de clientes se reforçaram em 16,1% para 4.100 milhões de euros. O crédito a empresas desceu 10,5% ao passo que o valor concedido a particulares ficou praticamente estagnado em relação a um ano antes, nos 11.330 milhões de euros. Já o crédito não performante reduziu-se em 15% face a 2016, para 9,594 milhões de euros.

Os resultados de operações financeiras subiram 45,2%, beneficiados pelo valor apurado na compra e reembolso antecipado de obrigações, bem como com a venda e reavaliação de títulos de dívida pública.

Os custos operativos caíram 7,1% para cerca de 550 milhões de euros, a refletir a redução de 64 balcões e de 608 trabalhadores. Neste capítulo os custos com pessoal caíram 9,1%.

O Novo Banco foi vendido, em 75%, ao fundo Lone Star em outubro do ano passado, tendo os norte-americanos injetado 1.000 milhões de euros na instituição até ao fim do ano. Os restantes 25% estão nas mãos do Fundo de Resolução.