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Marca Totta desaparece ao fim de 125 anos. A partir de agora será só Santander

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Alberto Frias

Mais de 100 anos depois, a marca Totta deixa de figurar aos balcões daquele que se tornou num dos maiores bancos privados portugueses. Uma marca que atravessou três séculos e esteve envolta em várias polémicas.

A marca Totta, associada ao setor bancário há mais de 100 anos, vai desaparecer nos próximos meses. O fim da insígnia, que remonta a 1893 – embora a sua origem seja anterior -, foi anunciado esta sexta-feira, 23 de março, com a progressiva passagem do banco Santander Totta a Banco Santander.

“O banco em Portugal assumirá progressivamente esta nova imagem e a prazo prevê-se que o Banco Santander Totta evoluirá para Banco Santander Portugal,” argumenta António Vieira Monteiro, presidente da filial portuguesa, em comunicado citado pela Lusa. Embora a designação social passe a Santander Portugal, nos balcões a marca aparecerá apenas como Santander.

A mudança inclui-se nas alterações operadas a nível internacional pela marca, cujo logótipo terá um novo tipo de letra, mais moderna e adaptada ao mundo digital, mantendo no entanto a imagem da chama, “símbolo de progresso”, enquanto o vermelho passará a ser mais brilhante.

Para trás ficará a associação do maior banco espanhol ao nome Totta, iniciada em 2000, aquando da entrada dos espanhóis no capital do Banco Totta&Açores e também no Crédito Predial Português (que tinha sido comprado em 1992 pelo Totta). O banco tinha estado antes nas mãos do espanhol Banesto (banco este comprado também entretanto pelo Santander), fruto da privatização de 1989 e de compras sucessivas feitas no início da década de 90.

É preciso recuar a 1843 para encontrar as origens do banco português, com a fundação da Casa Bancária Fortunato Chamiço Júnior em Lisboa. A instituição contrataria José Henriques Totta como cobrador, tendo passado mais tarde a sócio. Mas só em 1893 a casa bancária na Rua do Ouro passaria a ostentar o seu nome: José Henriques Totta.

Nos anos seguintes dá sociedade a vários colaboradores e deixa a condução da casa no final da década de 10. A década seguinte é marcada pela entrada de novos acionistas, nomeadamente a CUF de Alfredo da Silva. Na transição dos anos 50 para os 60 funde-se com o banco portuense Aliança, passando a chamar-se Totta-Aliança. Entretanto o grupo CUF/Mello, à frente da instituição, compra o Banco Lisboa & Açores, integrando ambos sob a marca Banco Totta&Açores, nascida em 1970.

Com a revolução veio a nacionalização da banca e o Totta & Açores não ficou de fora. Ficaria na esfera do Estado durante 13 anos, até que em 1988 foi das primeiras instituições financeiras a serem privatizadas, durante o segundo Governo de Cavaco Silva, neste caso vendido em parte ao Banesto, que nos anos seguintes vai consolidando controlo em aliança com o grupo de José Roquette até 1993.

António Champalimaud entretanto tinha comprado a Mundial Confiança e o Banco Pinto & Sotto Mayor. E em 1994, perante as dificuldades do Banesto em Espanha (que viria a ser absorvido pelo Santander), o empresário compra o Totta & Açores e com ele ficará durante cinco anos, quando é vendido aos espanhóis do Santander (no pacote vai também o CPP) num negócio polémico e inicialmente vetado pelo Governo mas que acaba com a distribuição dos ativos de banca e seguros de Champalimaud pelo BCP, CGD e Santander.

Nos últimos 18 anos, período marcado em parte pela crise económica e financeira na Zona Euro, o Santander Totta acabou por absorver em Portugal os ativos de dois bancos que sucumbiram entretanto: o Banif, em dezembro de 2015, e o Popular – o banco de Ana Botín ficou com a instituição no âmbito da medida de resolução aplicada em Espanha em junho do ano passado.

Agora, ao fim de 125 anos, a marca Totta vai deixar de figurar nos balcões daquele que, desde a compra do Popular, passou a ser o maior banco privado a operar em Portugal.