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Maior construtora chinesa entra em Portugal

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Edifício da CSCEC

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A CSCEC, uma das maiores construtoras do mundo, criou em janeiro uma subsidiária no país. Entre as áreas de atuação em Portugal estarão a construção civil e obras públicas incluindo estradas e ferrovia, aeroportos ou terminais rodoviários.

O maior conglomerado do setor da construção da China, a China State Construction Engineering Corporation (CSCEC), abriu no início do ano uma sucursal em Portugal. A entrada formal no país é avançada pelo site macaubusinesshub.com e confirmada pela EXAME, e será feita através da estrutura da empresa existente em Macau, a China Construction Engineering (Macau).

A companhia, uma das maiores do mundo e que é detida pelo Estado chinês, ficará sediada em Lisboa sob o nome CSCEC - China Construction Portugal, S.A.. A administração da subsidiária portuguesa, que tem um capital social de 3,5 milhões de euros, será liderada por Haipeng Zhang, diretor executivo da China State Construction International Holdings, a construtora do grupo baseada em Hong Kong.

A chegada a Portugal ocorre numa altura em que o setor imobiliário está ao rubro e em que se pespetivam também obras públicas de envergadura no país, como a construção do aeroporto do Montijo, o plano de modernização e construção Ferrovia 2020 (onde se enquadra a ligação ferroviária Évora-Elvas), a expansão do metro de Lisboa ou o novo terminal de contentores no Barreiro.

Entre as áreas de atuação da empresa em Portugal vão estar a construção civil e obras públicas incluindo estradas e ferrovia, aeroportos, terminais rodoviários, além de estruturas metálicas e pesquisa geológica, passando pelo turismo e hotelaria e reabilitação urbana.

O macaubusinesshub.com refere que no final do mês os responsáveis da companhia deverão vir a Portugal para negociar instalações e preparar a entrada no mercado, devendo ser indicada uma comissão executiva onde estarão quadros portugueses. O mesmo site refere que a empresa tem “grandes ambições” para Portugal e que quer “concorrer à construção de grandes obras públicas como a ferrovia e estradas, setor aeroportuário e terminais rodoviários.

A CSCEC vem juntar-se a um leque já alargado de empresas chinesas presentes no país, sobretudo desde os anos da intervenção externa. A China Three Gorges está no capital da EDP, a Fosun no do BCP, da Fidelidade e Luz Saúde, a State Grid no da REN e o grupo HNA no da TAP. A CEFC China Energy manifestou interesse pelos seguros do Montepio e na compra da Partex, negócio de petróleos da fundação Calouste Gulbenkian. Os cidadãos chineses são ainda a esmagadora maioria dos investidores que compraram imobiliário em Portugal ao abrigo dos chamados "vistos gold".

A CSCEC foi fundada em 1982 e em 2007 agregou três outras companhias, entrando em bolsa dois anos depois. Autodenomina-se o “maior construtor de habitação do mundo”, estando presente em mais de 20 países, entre os quais Moçambique e Rússia. Na China, tem obra em três quartos dos aeroportos, em metade das centrais nucleares e em 90% dos arranha-céus com altura superior a 300 metros.

Em 2016 os novos contratos assinados pela CSCEC superaram os 2 biliões de yuan (mais de 300 mil milhões de euros à cotação atual) e está no top cinco das empresas públicas com maior lucro operacional na China. Tem mais de 250 mil empregados e, segundo a Statista, é a maior construtora do mundo em termos de receitas, alcançando os 124,66 mil milhões de dólares em 2016.