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A única fortuna portuguesa que resiste no ranking dos multimilionários

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Duas das maiores fortunas nacionais deixaram, no espaço de um ano, de figurar na lista da Forbes. O património que resiste no rol pertence a uma família com fortes raízes na indústria mas com presença em áreas que vão da energia ao turismo e ao luxo

Num ano, o número de portugueses que constam da lista mundial de multimilionários da Forbes encolheu de três para um. Deixaram de figurar as fortunas de Alexandre Soares dos Santos (grupo Jerónimo Martins) e de Belmiro de Azevedo (o líder histórico da Sonae, desaparecido no ano passado).

A única fortuna nacional que surge no rol é a da família Amorim, que também no ano passado (em julho) viu desaparecer o seu fundador, Américo Amorim. O património atribuído aos herdeiros reforçou-se no espaço de um ano, passando de 4,4 mil milhões de dólares para 5,1 mil milhões de dólares (4,1 mil milhões de euros à cotação atual) e subindo três lugares, para a posição 382.

Com a morte do fundador, é a sua mulher Maria Fernanda de Oliveira Ramos Amorim, de 83 anos, que passa assim – de acordo com a Forbes - a representar a maior fortuna portuguesa presente na lista da revista internacional de negócios. Com as três filhas está hoje à frente do património da família.

Maria Fernanda Amorim casou em 1969 com Américo Amorim. Era, segundo o DN, “filha de um médico [Manuel Pinto Moreira Ramos], que trabalhava no Porto no Lloyds Bank”. Depois de, em 1989 Américo Amorim ter comprado a Quinta do Mosteiro de S. Salvador de Grijó, nos anos seguintes Maria Fernanda Amorim criou ali o Museu de Artes & Ofícios, Gaia, que reúne peças datadas de 1890 a 1950. Sobre este museu, deu ainda corpo em 2009 a um livro, da Sinais do Tempo.

É contudo a filha mais velha, Paula Amorim (na foto), que lidera hoje o grupo, que ao longo das últimas décadas – sobretudo desde a criação da Corticeira Amorim em 1963 – estendeu a sua presença com a participação, além da indústria da cortiça e da gestão florestal, em setores como a banca (na génese do BPI e do BCP, do BNC e do BIC e no capital do Popular e Banco Luso Brasileiro), as telecomunicações (esteve na fundação da Telecel, depois comprada pela Vodafone), até ao imobiliário e aos negócios do luxo (é um dos acionistas de referência da Tom Ford).

Outra das faces visíveis do património é na área da energia. Depois de participar no consórcio para comprar a Petrogal, em 1995, adquiriu dez anos mais tarde um terço da Galp via Amorim Energia, hoje com 33,34%. A família Amorim controla 55% desta empresa (o que lhe dá uma posição indireta de 18,34% na Galp) e colocou Paula Amorim como chairwoman da Galp.

Os outros 45% na Galp cabem à angolana Esperaza. Esta sociedade é, por sua vez, controlada pela Sonangol (55%) a que se junta uma fatia de 45%, nas mãos de Isabel dos Santos. A empresária angolana é, por outro lado, uma das quedas fortes no ranking de 2018 da Forbes: surge em 924.º lugar, com um pecúlio de 2,6 mil milhões de dólares, caindo quase 300 posições e 500 milhões de dólares face a 2017.

Paula Fernanda Ramos Amorim é ainda presidente do Grupo Américo Amorim, de que a irmã Marta Cláudia Ramos Amorim Barroca de Oliveira é vice-presidente, bem como administradora da Galp. A terceira irmã, Luísa Alexandra Ramos Amorim, está na administração da Corticeira Amorim, além de liderar o projeto turístico-agrícola da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, no Douro.