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Portugal lidera aumento do fosso salarial entre homens e mulheres

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Portugal foi o país onde a disparidade salarial entre homens e mulheres mais se agravou, desde o início do século. Mais mulheres no mercado de trabalho poderiam significar um aumento de 16 mil milhões no PIB nacional.

Os números não deixam margem para dúvidas: desde o ano 2000, Portugal foi o país da OCDE que mais viu aumentar a diferença salarial entre homens e mulheres. Esta disparidade fixou-se nos 17% em 2016, segundo dados recolhidos pela Pricewaterhousecoopers (PwC).

No estudo Women in Work Index, realizado anualmente e a que a EXAME teve acesso, a consultora estima ainda que se a percentagem de mulheres portuguesas no mercado de trabalho fosse equiparada à da Suécia, o ganho para a economia podia ser superior a 16 mil milhões de euros – ou 8% do PIB de 2016.

A Suécia é atualmente o país que lidera o índice da PwC que mede a participação das mulheres nas economias mundiais através de cinco indicadores, cuja média ponderada permite realizar este ranking: disparidade salarial, número de mulheres no mercado de trabalho, igualdade de oportunidades, desemprego feminino e percentagem de mulheres com emprego a full-time. Já Portugal ocupa, na mais recente listagem, o 18.º lugar, caindo da 5.ª posição que ocupava no ano 2000. É apontado como o país com a pior performance entre todas as economias da OCDE desde o início do século. Segundo a consultora, 29% das mulheres portuguesas em idade ativa estavam fora do mercado de trabalho em 2016, um número a que se somam 8% de mulheres desempregadas. No mesmo relatório, a PwC revela que apenas 9% das mulheres ocupam, em Portugal, lugares de topo. O número compara com a Suécia, onde a representação feminina chega aos 36% nos Conselhos de Administração das empresas.

Tanto Portugal como os EUA aparecem como os países com pior performance na redução das desiguladades entre género, o que pode ser explicado "pelo fraco crescimento das perspetivas de emprego para as mulheres", lê-se no documento. Já o Luxemburgo foi aquele que mais conseguiu reduzir esta desigualdade no mesmo período de tempo. Israel e a Polónia ocupam o segundo e terceiro lugares entre os melhores desempenhos.

Em termos globais, a PwC refere que reduzir a disparidade salarial entre homens e mulheres poderia ter um impacto positivo de 1,6 biliões de euros nas economias da OCDE, no longo prazo. Em termos de participação das mulheres no mercado de trabalho, se todos os países atingissem os níveis da Suécia, o PIB da OCDE poderia aumentar em 4 biliões de euros.

*Notícia atualizada dia 6 de Março às 11h23