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7 mandamentos de Elon Musk, para quem (nem) Marte é o limite

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Mafalda Anjos e Carmo Lico

Workaholic, exigente e sonhador, para Elon Musk nada é impossível, seja ir a Marte, revolucionar os automóveis ou abrir caminhos na Inteligência Artificial

Uns chamam-lhe génio e visionário, outros louco ou cowboy espacial. Numa coisa todos concordam: Elon Musk é um disruptor. Todos, menos ele. Musk nega o epíteto, porque diz que gosta apenas de “melhorar as coisas” – arranjar soluções para problemas que podem vir a ser muito complicados no futuro. Não se vê como um revolucionário, mas como um engenheiro que deseja ser socialmente útil, estabelecendo a si próprio objetivos no mínimo ambiciosos: coisas simples como salvar a Humanidade da extinção e colonizar Marte.

Desde pequeno que este sul-africano, nascido em Pretória em pleno Apartheid, se distinguiu pelo seu prodígio. Aos 8 anos, fazia desenhos de foguetes espaciais; aos 12 anos já tinha escrito e vendido o seu primeiro videojogo. Chegaram a pensar que seria surdo, de tal maneira se absorvia no seu mundo. Cresceu numa família abastada, com uma mãe modelo e nutricionista e um pai engenheiro que levava a família a passear pela savana africana pilotando o seu avião. Passou uma infância a devorar livros de ficção científica, a construir modelos de projetos e a programar códigos informáticos. Aos 17, rumou ao Canadá para continuar os estudos.

Fez a sua primeira fortuna com uma startup chamada Zip2, uma empresa de mapas eletrónicos que foi comprada, em 1999, pela Compaq por 250 milhões de dólares. Milionário aos 28 anos, decidiu apostar noutra empresa: a X.com, que mais tarde daria origem ao PayPal, revolucionando a indústria dos serviços financeiros e dos pagamentos online. Em 2002, vendeu-a ao eBay, somando 1,5 mil milhões de dólares à sua conta bancária. Estava multimilionário aos 31 anos, mas não ficaria à sombra da bananeira. Nesse mesmo ano, investiu novamente tudo num projeto que qualquer um acharia ser pura fantasia: criar uma empresa privada de exploração espacial. Assim nasceu a Space X, a primeira empresa aeroespacial do mundo a vender um voo comercial para a Lua. Mas o satélite da Terra não lhe chega: o seu plano é chegar a Marte e quiçá mais além. Musk, que andava com manuais de foguetões russos debaixo do braço, não só é o CEO desta empresa como o designer-chefe. Em 2003, o multitarefas Musk envolve-se noutra empresa hoje famosa, a Tesla. Missão: acabar com a utilização de combustível fóssil, desenvolvendo os carros elétricos com autonomias funcionais.

A lista de afazeres não se fica por aqui: Musk é cofundador da SolarCity, uma empresa de painéis solares, vice-presidente da Open AI na área da Inteligência Artificial e da machine learning, e CEO da Neuralink, que investiga como fazer ciborgues. A ideia mais recente: construir um túnel de 11 km debaixo de Los Angeles. Nada, mesmo nada, parece impossível para Elon Musk...

Como gestor, Musk, apontado como o crânio mais revolucionário em Silicon Valley, depois de Steve Jobs, tem características únicas. Musk é autoconfiante, determinado e absolutamente obstinado com o trabalho, o que nem sempre faz dele um chefe bem-amado. Vai a fundo em todas as áreas em que se envolve e faz questão de liderar pelo exemplo. Na excelente biografia que o jornalista Ashlee Vance escreveu sobre ele e em que, pela primeira vez, se levantou o véu sobre um homem que se mantém algo misterioso, os seus colegas dizem que se Musk exigia que se trabalhasse 20 horas por dia, ele trabalhava 23.

Por vezes, pode ser rude e brusco. Conta-se no livro que um dia repreendeu um funcionário por faltar a um encontro quando o seu filho nasceu. “Isso não é desculpa. Tens de definir quais são as tuas prioridades. Estamos a mudar o mundo e a mudar a História; ou te comprometes ou não”, terá dito.

Mas talvez a mais impressionante das suas características seja a sua vocação para o risco: por várias vezes, investiu tudo em projetos que ninguém acreditava possíveis e, por várias vezes, esteve perto da falência. Ambicioso, utópico, sonhador, Musk aponta sempre para o alto. E nem o céu é o seu limite.

Justin Sullivan / GettyImages

Os 7 mandamentos

1 Perseguir ideais e não o lucro. Move-o a vontade de mudar o mundo, mais do que o desejo de fazer dinheiro. Tem uma assumida missão social e, por isso, só investe em áreas que têm impacto positivo no planeta e na Humanidade


2 Não há impossíveis. Musk é, provavelmente, o empresário do mundo com projetos mais ambiciosos. Notabilizou-
-se por pensar em grande, sempre 


3 Totalmente obstinado. A sua chave para o sucesso é dedicar-se a 150% a tudo o que faz. Trabalha no mínimo 100 horas por semana e exige que os funcionários deem o litro, característica que muitos consideram nefasta no seu estilo de gestão

4 Aversão ao risco? Não conhece! 
O seu mote é jogar alto e apostar tudo: por três vezes, esteve prestes a perder todo o dinheiro que ganhou, porque reinvestiu tudo. Nunca desistiu


5 Responsabilidade social e filantropia. Anunciou que as patentes da tecnologia subjacente ao carro elétrico da Tesla serão do domínio público, para que mais empresas possam deixar de usar combustíveis fósseis


6 Perfecionista e estudioso. Segue todos os pormenores dos seus projetos principais. Estudou física e economia, mas é, quase como autodidata, o designer- -chefe da Space X


7 Sim a comprar uma guerra. Do alto dos seus 1,88 metros e com um ar de jogador de râguebi, tem um estilo confrontacional e, por vezes, quase bélico: quem não está com ele, está contra ele

B.I. - Elon Musk, Fundador e CEO da Tesla, Space X, Neuralink e Solar City

Idade - 46 anos
Fortuna - 17 mil milhões de dólares
Áreas de investimento - Indústria espacial, carros elétricos, energia solar, Inteligência Artificial
Frase - “O meu sonho é morrer em Marte, mas de preferência não na aterragem”