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Quiseram comprar o Novo Banco. Agora estão sob controlo do governo chinês

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Depois de acusarem e afastarem o chairman do grupo, as autoridades chinesas assumiram o controlo da Anbang por um ano. O grupo foi um dos que, nos últimos anos, entraram numa sucessão desenfreada de aquisições no estrangeiro.

A seguradora Anbang, que chegou a ser uma das interessadas na compra do Novo Banco – o sucessor do BES –, passou a estar sob controlo das autoridades chinesas a partir desta sexta-feira, 23 de fevereiro, pelo período de um ano.

O anúncio da intervenção foi feito depois de o antigo presidente do grupo, Wu Xiaohui, ter sido acusado da alegada prática de crimes económicos, nomeadamente desfalque e fraude na obtenção de financiamento. Banco central, reguladores do setor financeiro e dos mercados e outras agências governamentais assumem agora as rédeas da instituição.

Segundo a CNBC, o objetivo do controlo público é proteger os interesses dos consumidores numa altura em que as práticas de gestão ameaçam a solvência do grupo. Apesar da intervenção estatal, o conglomerado manter-se-á no domínio privado e os interesses de credores e obrigacionistas não deverão ser afetados.

As autoridades admitem ainda, segundo o The New York Times, estender o controlo público por mais um ano se a empresa não cumprir as recomendações de reestruturação.

O grupo chinês foi, com a Fosun e a Apollo, uma das candidatas à compra do Novo Banco em Portugal. A operação acabou cancelada pelo Banco de Portugal em Setembro de 2015, porque as propostas dos três candidatos foram consideradas "insatisfatórias." Segundo avançava a imprensa na altura, a Anbang terá proposto ficar com o banco por 3.500 milhões de euros. O Novo Banco acabou por ser vendido em 2017 à norte-americana Lone Star.

Fundada em 2004, a Anbang é detida por várias empresas controladas por pessoas consideradas próximas de Wu Xiaohui. Em julho do ano passado as autoridades chinesas terão pedido ao grupo que se desfizesse de vários dos ativos comprados no estrangeiro, conduzindo para território chinês parte dos milhares de milhões de dólares ali aplicados.

Entre as aquisições feitas nos últimos anos está o hotel Waldorf Astoria, em Nova Iorque, comprado em 2014. Na maré de compras internacional a Anbang não está, contudo, sozinha. Outros grupos chineses – como o HNA, o Dalian Wanda ou a Fosun - fizeram nos últimos anos aquisições de milhares de milhões de euros no estrangeiro, incluindo em Portugal. Por cá a Fosun é o maior acionista do BCP, detém a maioria da seguradora Fidelidade e a Luz Saúde, ao passo que a HNA é acionista do consórcio Atlantic Gateway, por sua vez investidor na companhia aérea TAP. A Dalian vendeu recentemente a sua participação de 17% no Atlético de Madrid.