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Barclays: Salário dos homens é o dobro do das mulheres

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O primeiro grande banco inglês a revelar dados sobre salários garante estar empenhado em reduzir a desiguladade salarial entre géneros.

As mulheres que trabalham na divisão de investimento do banco Barclays ganham menos de metade do que auferem os homens, revelaram os dados libertados esta quinta-feira pela instituição britânica, a primeira das principais financeiras a fazê-lo no país de Sua Majestade. A desiguladade salarial entre géneros aumenta para os 79% nos prémios variáveis da unidade internacional do Barclays, lê-se nos mesmos dados.

Dados compilados pela Bloomberg revelam que nos principais bancos ingleses, a desigualdade salarial entre homens e mulheres é de, em média, 26%. Quando se fala de bónus, a diferença chega aos 60%. Os números fizeram, aliás, o Parlamento britânico aprovar uma lei que obriga as empresas com mais de 250 funcionários a tornar públicos os dados sobre remunerações até ao próximo dia 4de Abril, e a comprometerem-se a garantir que há mulheres em cargos de topo, garantindo que a sua evolução na carreira tem a mesma igualdade de oportunidades.

Essa é, aliás, a justificação do Barclays para estas discrepâncias. Segundo o CEO da instituição, Jes Staley, é sua firme convicção que “homens e mulheres que desempenham as mesmas funções ganham o mesmo”. O problema é que o número de homens em cargos de topo e com mais tempo de casa é absolutamente desproporcional: o banco tem 79.900 funcionários em todo o mundo, sendo que 44% são mulheres. Mas entre os 555 senior managers, menos de um terço são mulheres. E só há uma mulher entre os 9 membros do Comité Executivo – a diretora do departamento de compliance, Laura Padovani.

“Quero deixar muito claro que o Barclays está a fazer a sua parte para garantir a igualdade salarial entre géneros. Não quero fixar objetivos concretos, mas queremos que esta diferença diminua”, garantiu ainda o responsável do Barclays, citado pela Bloomberg.

Em Portugal, os dados mais recentes recolhidos pelo Ministério do Trabalho e da Segurança Social, relativos a 2015, revelavam que os salários das mulheres ainda são 16,7% mais baixos do que os homens, no global das profissões. Esta diferença aumenta em alguns setores específicos e sempre que falamos de cargos de topo – onde as mulheres ganham 20% a menos do que os homens. No entanto, é difícil ter dados mais concretos uma vez que as empresas, por norma, não divulgam este tipo de informação.