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Lloyds fecha ano histórico com lucros recorde

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António Horta Osório, presidente do Lloyds

Tiago Miranda / Arquivo

Banco liderado por António Horta Osório pulverizou o anterior máximo, no exercício que marcou também a saída definitiva do Estado britânico do capital da instituição que teve de resgatar, há oito anos.

Tiago Freire

Tiago Freire

DIRETOR DA EXAME

2017 ficará como o ano mais marcante da história recente do britânico Lloyds. Depois de, nesse exercício, a instituição liderada por António Horta Osório ter devolvido todo o dinheiro injetado pelos contribuintes, os resultados financeiros deixam ainda mais claro o panorama: os lucros foram os maiores alguma vez registados pelo banco.

O resultado líquido ascendeu a 5,3 mil milhões de libras, ou 5,9 mil milhões de euros, um aumento de quase 25% face ao exercício anterior. Com base nesta performance, o banco vai premiar os acionistas e anunciou uma nova fase do seu plano estratégico, agora que a casa está definitivamente arrumada.

Na remuneração acionista, foi anunciado um plano de recompra de ações que pode chegar aos mil milhões de libras, uma forma de recompensar os acionistas privados que foram paulatinamente substituindo o Estado no capital do maior banco britânico. No último ano, as ações do Lloyds não têm exactamente deslumbrado, com alguns analistas a consideraram que esta recompra de ações, bem como o dividendo a pagar, tenderão a tornar os títulos mais atrativos.

Em termos estratégicos, para os próximos três anos, o plano é ambicioso. São três mil milhões de libras de investimento, sobretudo no aprofundamento da vertente digital do Lloyds, mas não só.

“Tenho prazer de anunciar hoje a nossa estratégia para os próximos três anos, que irá transformar o banco para o sucesso num mundo digital”, afirmou o gestor português. Recorde-se que o Lloyds já tem ficado muito bem colocado nos rankings de serviço digital no Reino Unido. “Ao entrarmos na nova fase do nosso caminho, a nossa equipa está determinada em potenciar ainda mais o negócio, melhorar a experiência do cliente e entregar um retorno superior aos acionistas”, acrescentou.

Para além da digitalização, o plano de investimentos focar-se-á na experiência de contacto do cliente com o banco; “maximização das capacidades do grupo”, trabalhando melhor alguns segmentos, como as start-up ou as PME; e na “transformação da forma como trabalhamos”, com o maior investimento de sempre nesta área, internamente.

“O ambiente externo está a evoluir rapidamente e estou confiante que este plano, excitante e ambicioso – com um investimento adicional significativo – significa que nos manteremos na liderança dos serviços financeiros do Reino Unido, e continuaremos a cumprir a nossa missão de ajudar o Reino Unido a prosperar”, conclui Horta Osório.

Foi também atualizada a declaração remuneratória da administração. Horta Osório beneficiou de um aumento de 2% no seu salário fixo, para 1,2 milhões de libras. Grande parte da remuneração dos dirigentes vem de stock-options e outros benefícios diferidos. Tudo junto, segundo a imprensa britânica, António Horta Osório terá uma retribuição total acima dos seis milhões de libras.