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Janeiro com ganhos nas bolsas e atenções nos bancos centrais

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O primeiro mês do ano está a ser marcado por ganhos generalizados nos principais índices internacionais, com as praças asiáticas e norte-americanas entre as valorizações mais expressivas - apesar dos percalços na reta final.

O ritmo ia bem embalado até sexta-feira passada, quando os principais índices acionistas de Nova Iorque renovaram recordes históricos. Um elã que vinha do otimismo com que Wall Street fechou 2017 – perante os efeitos previstos da reforma fiscal de Donald Trump e do bom comportamento da economia norte-americana (desemprego em mínimos de 17 anos, PIB a crescer 2,6% no final de 2017, preços a subir).

Contudo, o final do primeiro mês do ano penalizou a contabilidade geral de um Janeiro positivo para as ações dos EUA. Esta terça-feira - horas antes do discurso do Estado da União nos EUA, o primeiro de Donald Trump e no qual o chefe de Estado adotaria um tom mais moderado -, as praças norte-americanas encerraram pelo segundo dia em queda.

No caso do S&P 500 e do Dow Jones as descidas foram superiores a 1%, prolongando a correção dos recordes impulsionados pelo fim do shutdown da administração norte-americana. A penalizar a reta final do mês esteve o agravamento dos juros nas obrigações norte-americanas – que chegaram a cotar no valor mais elevado em quase quatro anos –, contribuindo para o sentimento de aumento dos custos de financiamento das cotadas e reduzindo o apetite por estes ativos de risco.

Além disso, também a queda no valor das cotadas do setor da saúde contribuiu para a tendência negativa, depois de esta terça-feira grandes empresas como a Amazon, o banco JP Morgan e a Berkshire Hataway, de Warren Buffett, terem anunciado a criação de serviços de saúde para os seus funcionários, o que poupa em custos àquelas companhias mas poderá ter impacto no negócio das empresas do setor.

Ainda assim, apesar dos tropeços nas últimas sessões, a subida mensal do S&P 500 deverá ficar na ordem dos 5% - depois de os principais índices terem iniciado esta quarta-feira com valorizações -, dimensão semelhante à prestação da praça de Xangai. A generalidade dos índices asiáticos – que também estiveram em território de máximos no arranque do ano – firmou um Janeiro positivo, com Hong Kong a experimentar valorizações próximas dos 10%, na sequência de dados animadores sobre a segunda maior economia do mundo.

Reunião da Fed centra atenções

Ao longo do que resta do ano – e que é quase tudo -, a atitude dos bancos centrais continuará a dominar as atenções dos investidores. Este mês o BCE garantiu que as compras mensais de até 30 mil milhões de euros continuarão até Setembro e que os juros deverão manter-se baixos por um período de tempo considerável, afastando um aumento em 2018. Já a Reserva Federal deverá continuar a tirar o pé do travão dos estímulos, antecipando-se três aumentos de juros nos EUA este ano.

Esta quarta-feira, 31 de Janeiro e fim do mês para as bolsas, é também marcada pela última reunião do banco central norte-americano presidida por Janet Yellen, num encontro de onde não deverão sair mexidas nos juros, que ficarão no intervalo de 1,25% a 1,5%. Ainda esta semana sucederá a Yellen o novo presidente, Jerome Powell, que receberá a pasta com o mercado à espera da continuidade da estratégia, com uma nova subida do preço do dinheiro em Março. O que não impede o JP Morgan Asset Management de esperar que as principais instituições mantenham políticas de apoio à economia:

“A Fed tem estado com uma política contracionista há dois anos, mas durante esse período as condições financeiras nos EUA melhoraram significativamente, em especial este ano, motivadas pelo aumento dos preços das ações, mercados de crédito robustos e a fraqueza do dólar. A situação nos mercados financeiros dá espaço à Reserva Federal para acelerar o ritmo de inversão da política expansionista,” disse ao Financial Times Seamus Mac Gorain, da JPMorgan Asset Management.

Europa atenua máximos, Lisboa a caminho de melhor Janeiro em três anos

Os máximos de mais de dois anos nas praças europeias também suavizaram ao longo da última semana deste mês, com o Stoxx 600 a fechar Janeiro com uma subida superior a 1,5%, num mês marcado pela apreciação do euro – que chegou a máximos de três anos depois do acordo de coligação na Alemanha - e também por previsões otimistas do FMI para as principais economias mundiais. Isto numa altura em que o Citigroup espera que as ações europeias disparem 18% ao longo do ano, naquela que, a concretizar-se, seria a maior valorização desde 2009, à boleia da recuperação das principais economias do velho continente e ao seu reflexo nos lucros das cotadas.

Já em Lisboa, o índice PSI 20 terminou o melhor mês de Janeiro em três anos, com ganhos de 5,1% - só superados pelos 7,2% de Janeiro de 2015. O mês na praça nacional foi marcado, entre outros, pela notícia de que a bolsa portuguesa é a mais generosa em dividendos aos acionistas face às pares europeias.

As ações portuguesas tiveram um arranque forte no início do ano – o melhor desde 2009 -, enquanto o resto do mês foi marcado, entre outros, por descidas dos CTT devido a novas exigências da Anacom para as metas de entrega de correio e pelas subidas do BCP, que tocou máximos de 2016 depois da melhoria do preço-alvo por parte de uma casa de investimento.

Notícia atualizada às 17:57 com valores do fecho da bolsa portuguesa