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Investimento imobiliário deve superar os 2,5 mil milhões em 2018

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Second Home - Não se trata da sede de nenhuma empresa, mas sim de uma zona de co-work, onde qualquer pessoa pode alugar um espaço para trabalhar. Fica no piso superior do Mercado da Ribeira, em Lisboa, tem mais de 2 mil plantas e espaço para 250 pessoas

Se 2017 foi ano de bater recordes, em 2018 o setor imobiliário promete continuar a fazer circular muito dinheiro. Alteração no setor “é estrutural” e não “uma bolha”.

Portugal está na moda, Lisboa ainda mais e a subida de preços do setor imobiliário tem mostrado isso mesmo com a procura a fazer os preços disparar em todas as vertentes: comercial, residencial, retalho ou corporativo. Só em imobiliário comercial foram investidos, em 2017, 1,9 mil milhões de euros, o que o catapultou para o melhor ano desde que há registo, segundo dados compilados pela JLL Imobiliária. Para este ano, as expetativas são mais altas, com este número a dever “chegar aos 2,5 mil milhões. Talvez até aos 3 mil milhões”, refere Fernando Ferreira, responsável pela área de mercados de capital da consultora. E justifica: “Ainda não fechámos os números de Janeiro”, mas só em comercial “estaremos, seguramente, acima dos 300 milhões de euros”.

Os estrangeiros continuam a pesar consideravelmente na carteira de clientes, e representam cerca de 80% dos investidores, em termos globais. Os brasileiros (14%), os sul-africanos (7%) e a Turquia e o Reino Unido (4%) são quem mais compra.

No entanto, Patrícia Barão sublinha que são cada vez mais os portugueses a investir – sobretudo na área residencial. Neste segmento, o peso dos estrangeiros é de 57%, de 48 nacionalidades distintas, e a tendência é para que o peso dos nacionais aumente, reitera a Diretora da área residencial. “Há duas razões principais para que o regresso dos portugueses ao investimento imobiliário: é um investimento seguro e os bancos estão novamente a financiar o setor”, resume.

Durante um encontro com jornalistas, os responsáveis da JLL fizeram também questão de sublinhar, repetidamente, que “o que está a acontecer no setor não é um momento”, mas sim “uma alteração estrutural”. Referem-se à subida generalizada de preços – só entre 2016 e 2017 o aumento foi de 12,4% em Lisboa e no Porto – que, garantem, “estão a corrigir dos anos da crise”. Os especialistas notaram que mesmo assim, Lisboa está longe de praticar os mesmo valores que outras capitais europeias.

Estado e Câmara Municipal devem fazer mais

Confrontados com as preocupações gerais sobre o afastamento de portugueses dos bairros mais centrais de Lisboa, os responsáveis da JLL garantem que são cada vez mais os estrangeiros a investir com ideias de desenvolver projectos de alojamento para locais. Mas não deixam de apontar o dedo ao Estado e à Câmara Municipal de Lisboa, na falta de soluções para motivar a resolução deste problema.

“Lisboa tem imenso potencial por explorar, e essa é a grande diferença de outras cidades europeias como Paris ou Barcelona”, começou por afirmar Maria Empis, diretora de consultoria estratégica e research. “Temos terrenos como o da Feira Popular, edifícios militares e hospitais desativados que podem e devem ser reabilitados para habitações a preços justos”, atira Fernando Vasco Costa. No entanto, para que isso aconteça, é preciso garantir alguns benefícios aos proprietários: contra a garantia de que o edifício é usado para arrendamento a locais, com preços controlados, pode haver uma redução no preço da aquisição. Ou facilidades como “compra agora e paga depois”. É dever do Estado e da Câmara garantir que os portugueses não saem da cidade, reiteram. Sobretudo quando têm condições e ativos para o fazer. “É preciso atacar já o problema e garantir que não se descontrola”.

É por isso que veem com bons olhos o investimento estrangeiro que, admitem, não deve ser diabolizado. “Se o soubermos aproveitar para ser inclusivo, temos que o fazer”. É graças a estrangeiros que muitos bairros de Lisboa deixaram de ser um monte de escombros, com a aposta da reabilitação a ser, claramente, ganha por investidores com vontade de entrar em Portugal para ficar.

Também o atual momentum empresarial pode fazer ainda mais pelas grandes cidades. O responsável da JLL para Portugal, Pedro Lencastre, sublinha que hoje são as empresas quem vai atrás dos talentos e não o contrário, e que esse tem sido um dos grandes motores do imobiliário em Portugal. “As companhias escolhem Portugal porque sabem que vão atrair talento. Porque hoje são os trabalhadores que decidem onde querem viver, ao invés de decidirem em que empresa querem trabalhar”.

No mesmo sentido, a nova tendência de espaços de co-work deverá continuar a animar o mercado, uma vez que ainda há oferta por explorar, sobretudo na área da reabilitação- Além disso, a previsão de saída do Reino Unido da União Europeia está a fazer com que muitas empresas olhem para Lisboa como alternativa a Londres, onde este conceito de partilha de espaço de trabalho está absolutamente enraizado.

Efeito de contágio não deve passar dos centros urbanos

Apesar desta tendência generalizada para a subida de preços nas grandes cidades, será difícil ver o efeito estender-se ao resto do país. Os concelhos vizinhos – e no limite, algumas cidades-satélite – poderão aproveitar a onda, mas a tendência para se viver em grandes centros urbanos vai manter-se.

O que significa que concelhos como Figueira e Castelo Rodrigo e Penamacor continuarão a ver o preço por metro quadrado a ser dez ou vinte vezes mais baixo do que em Lisboa – como revelaram dados do INE publicados no início desta semana.