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É oficial: Tribunal decreta fecho da Ricon

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Cerca de 800 trabalhadores ficam no desemprego com o encerramento e liquidação dos ativos do grupo têxtil com 45 anos de história.

O Tribunal de Comércio de Vila Nova de Famalicão decretou esta quarta-feira, 31 de janeiro, o fecho da Ricon Industrial SA. O encerramento foi decidido após a aprovação, pelos credores, do relatório da administração de insolvência que consagrava o fecho da empresa do setor têxtil.

O anúncio do fecho da Ricon Industrial chega um dia depois de a assembleia de credores ter decidido o fecho e a liquidação da 'holding' do grupo. O universo Ricon - com oito empresas . entrou em insolvência no final do ano passado.

Na segunda-feira, os perto de 800 trabalhadores da Ricon receberam as respetivas cartas de despedimento, ainda com o salário do mês de janeiro e metade do subsídio de natal por pagar. Na assembleia desta manhã foi anunciado que os salários de janeiro seriam processados e pagos nos "próximos dias", segundo a Lusa.

O número de colaboradores afetados - cerca de 800 - veio a revelar-se superior ao valor que tinha sido inicialmente apontado, e que estimava que estivessem em causa os empregos de 580 funcionários, dos quais 200 pertencentes às lojas da Gant e 380 ligados à produção.

Agora, segundo disse o administrador de insolvência Pedro Pidwell aos jornalistas, o objetivo é "vender a empresa no seu todo," ressalvando qeue"há sempre interessados para compras", cita a Lusa.

Falha solução Gant

O fecho da empresa ocorre depois da alegada recusa da multinacional Gant em viabilizar soluções para o grupo, tornando irreversível a falência e a liquidação do grupo. Além da produção industrial, com o fim da parceria com aquela empresa também encerrará a rede de retalho da marca de vestuário de origem norte-americana, com 20 lojas em Portugal.

A administração da Ricon, liderada por Pedro Silva, argumentou, quando se soube da iminência do fecho, que o grupo “dependia de forma significativa da Gant, quer na vertente do retalho, cuja dependência era total, quer na vertente da indústria, cuja dependência era superior a 70%”.

A multinacional sediada em Estocolmo terá, segundo o DN, recusado todos os cenários de continuidade da parceria, fosse através da entrada da empresa no capital da companhia, de novos investidores ou a reestruturação da dívida existente. As dívidas reclamadas ascendem a mais de 30 milhões de euros, tendo a banca mais de metade deste valor a haver. A Gant, também credora, pedia a entrega de 5 milhões.

Pedro Pidwell considerou que, com esta situação, o grupo “não é economicamente viável,” pelo que se impõe o fecho das operações. No seu relatório, o administrador de insolvência responsabiliza ainda a empresa de factoring Eurofactor de ter recusado libertar verbas ao abrigo da cobertura de seguros de crédito que permitissem que a empresa se mantivesse em atividade.

Percurso de 45 anos

A Ricon começou a operação industrial em 1973. Em 1992, no âmbito da parceria com a Gant assinada um ano antes, abriu a primeira loja da marca em território nacional, expandindo em 2004 a representação para Angola e em 2006 para o Brasil. Em 1993 criou também a Decenio, vendida em 2015 à dona da Lion of Porches. No mesmo ano, o grupo alienou ainda os centros da Porsche que detinha no Porto e em Braga, desfazendo-se depois da posição na empresa de aviação privada Everjets, ativos em que entretanto tinha apostado para diversificar a atividade.

Ao fim de mais de 25 anos, a parceria com a Gant chega agora ao fim. A rutura acontece três meses depois de a Gant ter anunciado a incorporação da operação de um dos maiores mercados europeus - o alemão - na sua estrutura. Desde 1995 era a Duetz Fashion GmbH que tinha os direitos para a distribuição exclusiva da marca em solo germânico. A Duetz Fashion e a Duetz Einzelhandels fundiram-se com a Gant AB (Suíça e Áustria), criando a Gant DACH.

Com Lusa

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