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A América continua em primeiro. Mas não está sozinha, reconhece Trump

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Jonathan Ernst

Trump foi a Davos vender o bom momento económico dos EUA e tentar desfazer a ideia de protecionismo económico. Mas manteve o aviso à navegação: não é possível ter comércio livre quando uns países exploram os outros.

Paulo Zacarias Gomes

O presidente norte-americano subiu esta sexta-feira ao palco de Davos apostado em dizer que os EUA já não são “business as usual”, são mais “business friendly”. E aparentemente empenhado em afastar as sombras de protecionismo que a sua própria administração plantou no primeiro ano de mandato.

Ao longo dos 15 minutos que durou a sua intervenção, por quatro vezes Donald Trump convidou os líderes internacionais que o ouviam na estância suíça a investirem nos Estados Unidos, desdobrando-se em sublinhar os feitos e factos que coincidem com o primeiro ano do seu mandato na Casa Branca.

Os recordes “esmagadores” na bolsa; a confiança de consumidores e empresas em máximos; os 2,4 milhões de empregos criados e o baixo desemprego, em particular entre os hispânicos, como fez questão de dizer. Isto numa altura em que a ideia do muro com o México continua na cabeça do presidente e em que democratas e republicanos procuram entender-se quanto à política para jovens imigrantes que permanecem ilegais no país e têm futuro incerto com a administração Trump.

“A America está de volta. (…) Voltámos a ser competitivos. (…) Nunca houve melhor altura para trazer os vossos negócios, os vossos empregos e investimentos para os EUA,” propagou, anunciando os cortes de impostos e de regulamentação - “os maiores na História” – e a eliminação de restrições à produção de energia, sob pretexto de a tornar mais barata para as empresas e famílias.

Uma bonança económica desfiada numa altura em que o presidente volta a estar sob pressão interna, por ter alegadamente querido despedir Robert S. Mueller III, o conselheiro especial que investiga as ligações da campanha Trump à Rússia.

Depois de um início de mandato marcado por reservas internacionais quanto à política comercial defendida pelos EUA – com acordos económicos travados, rasgados ou renegociados -, o inquilino da Casa Branca quis aproveitar para tentar sossegar os principais parceiros quanto a tentações protecionistas.

“América primeiro” – afirmou, recuperando as palavras do seu discurso de tomada de posse - “não significa América sozinha”. Há que fomentar a amizade e a parceria entre todos os atores internacionais, concedeu. E dar atenção ao “povo esquecido”, sem o qual só restará um “mundo fraturado”, alertou.

Mas se uma mão dá, a outra tira: “Não podemos ter comércio livre e aberto quando uns países exploram os outros. Os comportamentos predadores distorcem os mercados e prejudicam negócios não apenas nos EUA.” E insistiu uma vez mais que os aliados têm de corresponder ao esforço de investimento em defesa e segurança.

Nesta frente, apontou duas prioridades: a desnuclearização da Península da Coreia (semanas depois da "guerra de botões" com Kim Jong-un) e o combate às organizações terroristas, anunciando ainda que quase 100% do território no Iraque e Síria ocupado pelo ISIS já foi recuperado aos jihadistas.