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Como elas já mandam no têxtil

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Panorama da Fábrica Têxtil Sampaio Ferreira & C.ª, no início do século XX, onde os homens mandavam e elas trabalhavam. Volvido um século, o cenário é diferente

DR

Num mundo a preto e branco, os homens mandavam nos têxteis e as mulheres trabalhavam. Mas aos poucos elas foram conquistando o seu espaço fora do chão da fábrica, por herança, pelo casamento, por iniciativa própria. Conheça a história de oito mulheres poderosas no têxtil em Portugal, na nova edição de setembro da Exame, já nas bancas.

A Fábrica de Fiação e Tecidos Rio Vizela, a primeira têxtil do vale do Ave, abriu as portas imponente, com os seus quatro andares, mais sótão e 300 metros de comprimento, em 1845, em Negrelos. Chegou a ter três mil operários, quase todos mulheres, mas os lugares de chefia eram dos homens. Por essa altura, nesta indústria elas começavam ainda crianças, chegavam a fazer jornadas de 14 horas nos meses de verão, iam trabalhar com as suas saias compridas, que se enrolavam facilmente nas tiras de couro da engrenagem hidráulica, sofriam acidentes graves, muitas vezes mortais.

O relato de Lopes Cordeiro, coordenador científico do Museu da Indústria Têxtil, em Famalicão, não esquece que o inquérito ao estado da indústria em Portugal em 1813, logo após as Invasões Napoleónicas, encontrou já 11 empresárias no Porto, 10 das quais no têxtil e oito delas viúvas. São apenas a exceção à regra do operariado feminino na fiação, na tecelagem, nos acabamentos, na costura, a que se somava muito trabalho doméstico com a roca de fiar.

Leia mais na edição de setembro da Exame, já nas bancas.