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Tintex: Liocel, uma fibra difícil de 'roer'

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Tintex

Lucília Monteiro

Quando nasceu em Cerveira, a norte do coração da indústria têxtil, para dar vida nova a uma tinturaria falida, em 1998, a Tintex assumiu desde logo o desígnio de apostar na diferenciação para atrair clientes. A procura de fibras novas para trabalhar levou-a ao encontro do liocel, uma fibra proveniente da madeira, que apresenta ao público como “a mais ecológica do mercado na indústria do vestuário”, mas é difícil de trabalhar. Os italianos tinham problemas sérios com o liocel? Os portugueses tentaram a sua sorte e bateram a concorrência. “Se fosse uma coisa fácil, não era verdadeiramente uma oportunidade”, diz hoje Mário Jorge Silva, diretor-geral da empresa, que viu a sua ousadia e persistência ser premiada, conseguiu surpreender o mercado com os resultados obtidos e é hoje líder mundial nesta fibra, que vale 30% das vendas de 10,5 milhões de euros, 80% dos quais referentes a exportações diretas e indiretas.

Com 125 trabalhadores, três mil referências no portefólio e vários prémios internacionais, a empresa investiu sete milhões de euros em três anos, tem equipamentos inovadores, espera faturar 18 milhões de euros em 2020 e fez da sustentabilidade e da inovação a sua bandeira no universo das malhas. “Hoje, 60% da nossa coleção são baseados em produtos sustentáveis”, diz o diretor-geral, habituado a trabalhar com marcas de referência internacionais no seu laboratório e a apresentar produtos inovadores, dos acabamentos funcionais com garantias de respirabilidade, impermeabilidade ou gestão de humidade às soluções termocromáticas, que variam em função da temperatura e da luz em revestimentos de poliuretano, ou à formulação que permite unir sobras de cortiça à malha sem colagem. O tingimento de fibra de milho biodegradável aguarda apenas “o desenvolvimento a montante de fibra com aptidão para tricotagem”, refere o gestor, que também está a apurar a palete de cores da marca Colorau, decidido a dar novas cores às malhas de forma sustentável, sem corantes químicos, com a ajuda de extratos vegetais e enzimas.

Este artigo é parte integrante da Exame de Junho de 2017