Há uns meses a União Europeia era governada à direita. Era a quase unanimidade dos governos europeus: todos populistas de direita. Mas os tempos mudam e as circunstâncias também. A Esquerda Socialista, Trabalhista e Social-Democrata começou a manifestar-se. Primeiro, nas eleições francesas que deram a vitória a François Hollande, mas também com o movimento democrático italiano que, parece, manifesta-se à esquerda, e, também, com nuances, a Holanda e a própria Alemanha, visto que os sociais-democratas e os "verdes" estão a trazer à política um novo fôlego. A senhora Merkel que se cuide...

Fazem-nos falta - é certo - os democratas-cristãos a sério que, praticamente, desapareceram como partidos europeus. Foram eles, com os socialistas, que construíram a União Europeia. Onde isso vai... Mas foram substituídos pelos Partidos Populares, neoliberais, que só veem o dinheiro, como supremo valor, e inventaram a globalização desregulada, desprezando as pessoas e os valores éticos, que fizeram a paz e o bem-estar das pessoas, criando os Estados Sociais.

Foi essa ideologia sem princípios que, nos últimos anos da era Bush levou a duas guerras inúteis, mas extremamente mortíferas, no Afeganistão e no Iraque. Ao mesmo tempo que começou a tentar destruir os Estados Sociais na Europa. Ora, sem Estados Sociais, as desigualdades multiplicam-se bem como os conflitos entre classes e Estados. A solidariedade - um dos principais valores do projeto europeu - desapareceu, igualmente, levando aos conflitos internos (nacionais) e aos conflitos entre nações. Houve a tendência para regressar aos nacionalismos, responsáveis pelas duas guerras mundiais ocorridas no século passado, pondo em causa as próprias democracias...

Felizmente que os republicanos americanos perderam as eleições e, ao que parece, começaram a compreender que o neoliberalismo é uma ideologia do passado, como o comunismo. A vitória de Barack Obama veio, assim, dar um novo impulso à esquerda e à importância e valor do Estado Social e da democracia. É, de algum modo, o que começa a repercutir-se na União Europeia: um certo e indispensável impulso à Esquerda.

 

Há ainda muitos pessimistas que julgam que a Europa está perdida e a desagregação é inevitável. Seria um recuo civilizacional de talvez mais de um século. Por mim, porque não sou pessimista, estou convencido de que o bom senso vai predominar. Isto é: que vai haver uma mudança política, económica e social na União Europeia. Bem como se vai voltar a repensar o ambiente a sério, até porque as sucessivas catástrofes que têm afligido todos os continentes nos obrigam a pensar no nosso planeta ameaçado, com as reformas para tanto indispensáveis, como dizem os cientistas e os ambientalistas, sem serem ouvidos, até agora, desgraçadamente, pelos responsáveis políticos.

É fundamental admitir que os dirigentes europeus continuem paralisados por muito mais tempo, dadas as responsabilidades tão graves que lhes serão atribuídas. Por isso acredito que o bom senso venha, rapidamente, à superfície e que se volte ao crescimento económico e à luta em favor de mais emprego. Para vencer a crise que nos afeta e mudarmos de paradigma. A esquerda socialista tem aí um papel crucial.