Tal como na energia solar, na eólica o País já teve o "80 e agora passou para o 8", na expressão de Francisco Ferreira, ex-presidente da Quercus. Pelo menos no que diz respeito aos objetivos. "É verdade que José Sócrates exagerou: no plano nacional de ação para as energias renováveis [PNAER] definiu a meta de 7 mil megawatts de potência instalada, para as eólicas, até 2020. Mas este Governo, por outro lado, é muito pouco ambicioso, revendo a meta para 5300 megawatts!", explica o professor universitário.

De facto, todas as metas do PNAER relativas à potências das várias fontes de energias renováveis, que devem ser atingidas em 2020, foram revistas em baixa: a eólica teve um corte de 23%; a solar de 63%; as pequenas centrais hídricas de 33%; a biomassa de 20%, a geotermia de 60%; e, finalmente, as ondas viram os seus objetivos reduzidos em 98 por cento.

Trata-se de um acerto mais realista? Talvez. Mas a APREN - Associação Portuguesa das Energias Renováveis, não deixa de assinalar os pressupostos por detrás destas metas: "suspensão de novos licenciamentos e realização apenas de projetos com potência já atribuída".

Aqui está o ponto que deixa Aníbal Fernandes, presidente da ENEOP, preocupado. Falamos de um consórcio de cinco empresas, que ganhou os direitos para a instalação de 1200 megawatts de energia eólica. Além disso, criou um polo industrial de produção de aerogeradores, em Viana do Castelo, e emprega duas mil pessoas (além de ter criado 5 mil postos de trabalho indiretos).

"A nossa expectativa era de exportar 60% da produção, ficando os restantes 40% no mercado interno. Mas não há mercado interno! Olhamos para o futuro com apreensão", confessa Aníbal Fernandes. A ENEOP é um bom exemplo de como a crise e a austeridade que se seguiu afetaram as empresas na área das renováveis. Primeiro foi a falta de financiamento bancário, já que os bancos ficaram sem grande margem para emprestar dinheiro. "Os bancos desapareceram do mercado e foi o BEI [Banco Europeu de Investimento] que nos deu uma mãozinha. E os acionistas, que tinham previsto um investimento de 150 milhões de euros, acabaram por colocar quase 600 milhões", explica.

De notar que tudo isto se passa naquele que é um "projeto de sucesso", com forte capacidade exportadora e acionistas sólidos. Que dirá quem não tem estas condições?

 

Potência atual instalada:

4103 MW (22,5% do total)

 

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