A história de Leonarda Dibrani está a ter grande repercussão nas redes sociais em França, sobretudo pelo 'timing': o tema está a dominar o debate político a meses das eleições autárquicas, marcadas para março do próximo ano.

Ainda há três semanas, o ministro francês do Interior defendia o desmantelamento dos acampamentos ilegais de ciganos em Frença e a expulsão do país dos seus presumíveis 5 a 20 mil habitantes.

A família Dibrani, um casal com seis filhos com idades entre um e 17 anos, vivia em França há quatro anos e dez meses. No entanto, a dois meses de obter a nacionalidade francesa, o pai foi detido e a sua deportação marcada para 8 de outubro.

Leonarda Dibrani, de 15 anos, que estudava no Instituto André Malraux de Pontalier, estava numa visita de estudo com a sua turma quando a polícia mandou parar o autocarro e a levou sob custódia. Poucas horas depois, a família era deportada para Pristina, a capital do Kosovo.

Numa carta aberta publicada na Internet, os professores da jovem dizem-se "estupefactos" com a forma como Leonarda foi detida, recordando ainda que cinco dos menores da família Dibrani estudavam em escolas francesas há mais de três anos, falavam perfeitamente a língua e teriam direito à naturalização em dois meses. A docente que viajava no autocarro, e que recebeu por telefone a ordem para mandar parar o veículo, considera que a forma como a adolescente foi detida foi "desumana".