Durante sete dias fui de Barcelona a valer. E como era a valer escolhi uma vida e rotinas num total desvio às massas turísticas. Percorri pontes, praias, bares, cafés, ruas, estradas, locais de acesso restrito e o melhor: andei nas famosas bicings.

Passo o cartão "mágico" na máquina e no visor recebo a informação com o número da bicicleta que devo pegar. Este simples gesto dá acesso a toda a cidade e nos próximos 30 minutos tenho a liberdade para viajar numa das melhores capitais da Europa.

Então lá vou eu, com o vento a bater-me na cara e de mochila às costas, à procura da combinação perfeita entre o meu entusiasmo e as folhas brancas prontas para se desenhar. Sigo em velocidade moderada e vou apreciando as constantes fachadas modernistas. As pessoas que, volta e meia, sorriem ao ver-me passar.

O sol aqui aquece para além do normal e as ruas inclinadas em direcção ao mar, sempre dão para recuperar alguma frescura. Devolvo a bici à maquina para desenhar a Praza da Catalunya. Uma vista panorâmica incrível desde o topo do El Corte Inglês. Há coisas que não estão em roteiros turísticos ou em mapas.

Estas informações valem mais que entradas em museus. São amigos com a mesma paixão por desenhar que me levam a conhecer as suas cidades dos melhores pontos de vista. O deles, depois interpretado por mim.

De aqui pode-se descer uma das mais preenchidas ramblas. Assim atrevo-mo e de passagem bebo um pouco da agua da fonte. "Quem bebe dessa fonte volta sempre a Barcelona!" diz o meu amigo desenhador Sagar. "Então deixa-me cá beber mais um bom bocado" digo eu satisfeito.
Barcelona está repleta de atracções e distracções para se passar sete dias sem se dar conta que amanhã já me vou embora.