O especialista referiu que está bem estudada a relação entre a depressão e o desemprego e entre a depressão e os comportamentos suicidários: "É de facto um triângulo muito perigoso".
Os comportamentos autodestrutivos, de que o suicídio é a forma mais grave, surgem num contexto de uma "extraordinária desesperança e de uma descrença em que se consigam resolver os problemas" e são uma das principais consequências do desemprego.
"O desemprego não só impede a pessoa de trabalhar e de ter um rendimento aceitável, como também destrói as famílias, aumenta o alcoolismo, que é um factor que está muitas vezes associado aos comportamentos suicidários. Aumenta a disfunção das famílias e destrói a auto-estima", sublinhou.
"A pessoa começa a achar-se incapaz, a achar que não vale nada, a achar às vezes que é só um fardo para os outros e tudo isto são ideações que podem levar a comportamentos autodestrutivos", disse.
Num trabalho sobre "Suicídio e Saúde Mental em tempos de crise económica", o psiquiatra Nuno Pessoa Gil assinala que não basta haver médicos ou serviços de psiquiatria para atender aos efeitos da crise sobre a saúde mental das populações.
"Não há cápsulas, comprimidos ou psico-terapias estruturadas capazes de resolver problemas como a pobreza, a miséria económica ou a exclusão social", assinalou.
O seminário, organizado pelo núcleo distrital de Beja da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, inclui a participação de autarcas, representantes policiais e da Direcção-Geral da Saúde, bem como psicólogos e psiquiatras.







