No domingo, a agência de medicamentos francesa relacionou a pílula Diane 35 a quatro mortes por trombose venosa, depois de uma investigação que começou com a denúncia de uma jovem vítima de um acidente cardiovascular cerebral.

"Todas estas notícias são alarmistas, são reportes de casos muito isolados. Há muitos milhões de mulheres a tomarem esta pílula ou outras e que não têm esse tipo de complicações", defendeu Luís Graça, presidente da SPOMMF, em declarações à agência Lusa.

A denúncia partiu de uma jovem que, em dezembro do ano passado, entrou com uma ação em tribunal por ter sofrido um acidente cardiovascular cerebral (AVC) que considerou estar relacionado com a toma daquela pílula, que é também é vulgarmente utilizadapara o tratamento contra o acne. 

A queixa provocou a abertura de uma investigação preliminar.

A Agência de Segurança Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (ANSM) francesa anunciou, no domingo, que a Diane 35 assim como os seus genéricos irão ser alvo de uma "análise específica" e um "relatório completo" que deverá ser publicamente divulgado na próxima semana.

Segundo a ANSM, nos últimos 25 anos registaram-se quatro mortes que são "atribuíveis a trombose venosa relacionada com Diane 35", noticiou hoje a AFP.

No dia 11 de janeiro, a ministra da Saúde francesa, Marisol Touraine, pediu à União Europeia que limitasse a prescrição de pílulas anticoncecionais de terceira e quarta geração e anunciou que a França iria adotar um mecanismo para limitar o uso desses anticoncecionais.

O apelo da ministra surgiu depois de a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) ter divulgado um comunicado no qual assegurava que as mulheres, que usam as pílulas de última geração, não tinham qualquer motivo para pararem de usar o medicamento.

Na semana passada, também a Sociedade Portuguesa da Contraceção (SPC) veio defender que as pílulas contracetivas são dos medicamentos "mais estudados" e que não existem razões para as mulheres deixarem de a tomar.

A evidência científica é de que o risco de tromboembolismo venoso nas mulheres que não utilizam a pílula é de quatro ou cinco casos para cada 10 mil mulheres em idade reprodutiva e nas utilizadoras de pílula é de nove ou dez em cada dez mil, segundo informações avançadas pelo SPC.

"Em alguns países, como a Noruega, este fenómeno foi estudado: as vendas da pílula em geral desceram 17% e do contracetivo em causa desceram 70%, mais de 25.000 mulheres descontinuaram o uso do contracetivo", refere a sociedade.

A não utilização da pílula contracetiva resultou num aumento da taxa de aborto em 36% nas jovens com menos de 24 anos, concluiu.