"É o maior festival de sempre", garante, ao JL, Mário Micaelo, um dos diretores do Curtas de Vila do Conde, cuja 20.ª edição decorre de 7 a 15 de julho. Aquele que é, sem dúvida, um dos mais importantes festivais para o cinema português, em ano de comemorações, orgulha-se de contar com produções próprias. Foram encomendados quatro filmes a realizadores de renome internacional que já fazem parte da história do festival. Sergei Loznista, Thom Andersen, Helvécio Marins e Yann González. Todos os filmes são realizados e produzidos em Portugal, com um orçamento total de 40 mil euros (extremamente curto). Loznista, realizador ucraniano, autor de My Joy, ficou tão fascinado pelo nosso país que, segundo nos adiantou Mário Micaelo, está a pensar em mudar-se para Portugal. Do Estaleiro, projeto paralelo de Vila do Conde, que não está diretamente ligado ao festival, emergem outros quatro filmes. Destaca-se a obra de João Canijo que, com o orçamento para uma curta, envolveu-se de tal forma que acabou por fazer uma longa, com o título A Obrigação. O 20.º aniversário é ainda assinalado com um livro que será mais do que um catálogo. Contém 20 entrevistas a 26 realizadores, nomes como Manoel de Oliveira, Alexander Sukorov, Gus Van Sant, Ken Jacobs, Luc Moulet ou Apichatpong Weerasethakul. E ainda um texto ficcionado de Meke Hoolboom e um ensaio de Augusto M. Seabra. Simultaneamente, uma exposição fotográfica com alguns dos grandes momentos de 20 anos de atividade.
O prato principal do Curtas de Vila de Conde é, e sempre foi, as sessões competitivas. E, acima de tudo, a competição nacional, que tantos nomes revelou na história recente do cinema português. Este é um ano em grande, fruto ainda do apoio ao cinema de políticas pré-crise. "Todos os filmes são estreias nacionais e a oferta de obras de qualidade foi tal que tivemos que criar uma sessão extra", afirma Micaelo. Entre outros, filmes de Leonor Noivo, João Pedro Rodrigues, Possidónio Cachapa, Filipe Abranches, Gabriel Abrantes, Sandro Aguilar e Basil Cunha. Na competição internacional, espera-se uma continuação do paradigma de qualidade e inovação a que o curtas nos tem habituado, com filmes de Danis Tanovi, Ben Rivers, Lisandro Afonso, Andrey Ushakov, Christoph Girardet e Matthias Müller ou Valérie Massadian.
O festival parte à descoberta de Stanley Kubrick, com um programa muito especial, em que, além de alguns dos seus clássicos, é montada uma exposição, na Galeria Solar, em sua homenagem. Obras de Graham Gussin, Johan Thurfjell, Nicolas Provost, e dos portugueses Pedro Tudela, Miguel Soares, Alexandre Estrela, João Tabarra e João Onofre. Além disso, será exibido o documentário Stanley Kubrick - A Life in Pictures (2001), com a presença do seu realizador, Jan Harlan. Olivier Assayas é o realizador em foco, com uma programação que explora a sua ligação com a música, como é visível no filme de abertura, Noise, inspirado no universo dos Sonic Youth. Este filme, juntamente com Quarto 237, a partir de Shining de Kubrick, e L'envahisseur, a primeira longa-metragem de Nicolas Provost, prometem uma abertura de luxo.
Outro homenageado é Robert Todd um dos mais experimentais realizadores contemporâneos, a quem Vila do Conde dedica a sua primeira retrospetiva na Europa. No espaço, da curta para a longa, que acompanha obras de realizadores que costumam passar por Vila do Conde mas que, entretanto, realizaram longas-metragens, encontramos os últimos filmes de Apichatpong Weerasethakul e Adrian Sitaru. A secção stereo este ano apresenta uma inversão do conceito de filme-concerto: em Titans, a Cinematic Experience, são realizadas curtas através de músicas dos portugueses Black Bombain. É o resultado de um workshop de John Minton no Estaleiro. Também há um filme concerto a partir da obra de Todd e uma performance do coletivo Metamkine. O Curtas começa em Guimarães, com parte do programa do programa 2012 Odisseia Kubrick e uma retrospetiva dos vencedores de 20 anos de festival.