Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Vítimas do incêndio de 15 de outubro põem Estado em tribunal

Nesta pequena mas incisiva entrevista, Luís Lagos, presidente e porta-voz da Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, explica por que vão mover a ação judicial. E não poupa governo nem oposição

Filipe Luís

Filipe Luís

Editor Executivo

Luís Barra

Luís Barra

Repórter Fotográfico

André Moreira

André Moreira

Jornalista Multimédia

Descendente de uma família há décadas dedicada à produção e comercialização de queijos, Luís Lagos, 39 anos, advogado, licenciado pela Universidade Católica de Lisboa, deixou, aos 30 anos, a atividade na capital para voltar às origens e recuperar o negócio que, em 2007, estava quase falido.

Militante do CDS, acompanhara, em Bruxelas, durante um ano, o antigo deputado europeu José Ribeiro e Castro e foi seu chefe de gabinete enquanto foi líder do partido. Até outubro deste ano, Luís era o presidente da distrital do CDS de Coimbra. Depois dos incêndios de 15 desse mês, demitiu-se e suspendeu a atividade política para se dedicar, em exclusivo, à defesa das vítimas do "maior incêndio de sempre". Esta sexta-feira, na primeira assembleia geral da Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal (AVMISP), vai propor que se mova uma ação judicial contra o Estado português. No vídeo que acompanha esta notícia, numa pequena mas muito incisiva entrevista, em que não poupa nem Governo, nem oposição, Luís Lagos explica porquê.

A gravação foi feita em Oliveira do Hospital, entre os escombros de uma segunda empresa - esta de construção civil, a Fonseca & Fonseca, 23 trabalhadores - que também estava a gerir, desde há um ano, após a morte do sogro, anterior proprietário. Quanto à queijaria, este filho de Meruge (freguesia do concelho de Oliveira do Hospital) vem de uma faturação anual de 26 mil euros, em 2007, quando lhe pegou, para 3 milhões hoje. Dos 100 metros quadrados das instalações iniciais dos Queijos Lagos (que também são destinados à exportação) cresceu para mil metros quadrados. Felizmente, essas não arderam. O difícil está em encontrar leite para manter a produção. As ovelhas da região é que arderam quase todas.

VISITE AQUI O SITE - “Uma Redação com o Coração no Centro de Portugal”

Vamos ter uma redação itinerante no Centro do país durante todo o mês de Novembro, para ver, ouvir e reportar. Diariamente, vamos contar os casos de quem perdeu tudo, mas também as histórias inspiradoras da recuperação. Queremos mostrar os esforços destas comunidades para se levantarem das cinzas e dar voz às pessoas que se estão a mobilizar para ajudar. Olhar o outro lado do drama, mostrar a solidariedade e o lado humano de uma tragédia. Para que o Centro de Portugal não fique esquecido. Porque grande jornalismo e grandes causas fazem parte do nosso ADN.